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Como devem se portar Pistons e Clippers após a troca mais inesperada da temporada

O que esperar do futuro das duas franquias?

Como devem se portar Pistons e Clippers após a troca mais inesperada da temporada
SB Nation

A inesperada troca de Blake Griffin para o Detroit Pistons movimentou a noite de segunda-feira na NBA. Depois de assinar no início da temporada um novo contrato de cinco anos para permanecer com a franquia, totalizando mais de U$ 171 milhões de dólares em salários, o Los Angeles Clippers trocou sua principal estrela e, em retorno, receberão Tobias Harris, Avery Bradley e Boban Marjanovic, além de duas escolhas de draft (uma de 1ª rodada e outra de 2ª). O repórter da ESPN americana, Adrian Wojnarowski, relata que o Clippers continua a se envolver em negociações em torno de DeAndre Jordan e Lou Williams, reforçando a ideia de que L.A. planeja remodelar sua rotação e iniciar um rebuild.

Em uma movimentação que, a princípio, não eleva o patamar de nenhuma das duas franquias, tentaremos destrinchar os pontos positivos e negativos e traçar planos para o futuro das duas equipes.

Detroit abriu a temporada 14-6 e imaginava-se uma sólida campanha antes de retroceder para a atual marca de 23-26. Em uma jogada arrojada, o front office viu uma oportunidade de negócio quando o Clippers começou a hesitar sobre seu futuro. Harris e Bradley eram os dois maiores pontuadores dos Pistons, mas ambos são essencialmente “role players de elite” que foram encarregados de tomar as ações ofensivas de um time sem muitas opções confiáveis.

Avery Bradley foi um dos destaques do Pistons na temporada. Fonte: Autor Desconhecido

Griffin, quando saudável, é um dos melhores jogadores da posição, cuja pontuação e qualidade de passe podem melhorar uma equipe. Sua adição cria uma oportunidade legítima para concorrer em uma Conferência Leste que parece não ter um franco favorito. Aliado com Andre Drummond, que atualmente é um dos principais reboteiros da liga, a parceria tem tudo para ser ainda mais vitoriosa do que a antiga dupla formada com DeAndre Jordan. Embora Jordan seja um defensor superior, Drummond se tornou um melhor passador e melhorou acentuadamente seu lance livre nesta temporada, com as melhores médias da carreira nos dois quesitos, além de possuir somente 24 anos.

A questão parece ser encontrar os coadjuvantes para colocar ao redor deles. O rookie Luke Kennard e Reggie Bullock são atualmente as únicas opções de Detroit nas alas, por exemplo. Reggie Jackson é a única opção confiável na armação, mas sofre com problemas de lesão. Faltam ativos para reforçar um elenco que pretender brigar na parte de cima. A boa notícia é que os Pistons podem tentar desenvolver esse ponto a longo prazo.

A má notícia é que podem correr sérios riscos financeiros nos próximos anos. Griffin vai completar 29 anos em março e vem com um histórico de lesão recheado, tendo jogado 80 jogos em uma temporada pela última vez em 2013-14. Ele tem contrato assinado até 2020-21 com um player option para 21-22. Estão apostando em sua saúde e sua química com Drummond, cujo acordo vai até 2020-21 (com um player option para essa temporada). Jackson também está assinado até 2019-20, e, sem realizar mais movimentos, é com isso que Detroit está trabalhando. O risco no curto prazo não deve ser tão alto, dado que Bradley é um agente livre na próxima janela, e quanto melhor o Pistons jogar, menos valor terá a pick deste ano para os Clippers.

 

Principal fator da troca, Blake Griffin foi pego de surpresa. Fonte: NBA

Esperar que Doc Rivers seja o responsável por lidar com uma verdadeira reconstrução na franquia talvez não seja o mais correto. Então considere este movimento como uma tentativa de tornar a franquia mais jovem, adicionar escolhas de draft, potencialmente criar espaço na folha salarial e derrubar o gigantesco contrato de Griffin, tudo de uma única vez.

Nenhum dos reforços chega para elevar o patamar do elenco, e até conhecermos os destinos de Jordan e Williams, será difícil avaliar completamente as decisões da franquia. Harris e Bradley serão úteis na rotação, com Tobias e Gallinari dando ao Clippers alguma versatilidade no setor ofensivo, por enquanto. Os pontos fortes de Bradley são exatamente o oposto do que Austin Rivers faz bem e, se conseguirem sua renovação, ele poderia formar um dos melhores backcourts defensivos da liga com Patrick Beverley.

A primeira escolha do Pistons provavelmente será enviada esta temporada (só é protegido entre escolhas 1-4) e os Clippers também adicionam uma de segunda rodada no próximo ano.

L.A. ainda deve ter o suficiente para continuar a brigar pela oitava vaga do Oeste se estiver nos planos, mas o que é mais importante, os Clippers provavelmente terão espaço significativo em 2019, quando os contratos de Harris e Marjanovic forem desfeitos. É notório que o proprietário Steve Ballmer está disposto a investir alto para vencer, e o time estará em posição de negociar para atrair agentes livres. Afinal, não há garantia de que os Lakers vão ser bons e ser a principal franquia da cidade mais badalada dos Estados Unidos é um ótimo chamariz. Dependendo qual caminho o Clippers escolher, eles poderiam se tornar um time ativo nesta próxima temporada.

O choque e a frustração da troca Griffin devem ser sentidos, mas também há de se elogiar a ousadia da franquia para reconhecer que atingiram seu teto. A partida de Chris Paul foi apenas o começo. Quem teria pensado que DeAndre Jordan seria o último dos três grandes? De qualquer forma, aceitar isso como uma brilhante decisão de começar de novo, parece ser o melhor caminho. Todos os olhos estão voltados no que eles vão fazer em seguida

 

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Matheus Monteiro

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