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E se as coisas tivessem sido diferentes com o "Dream Team" nos Jogos Olímpicos de Barcelona?

No aniversário de 25 anos da Final Olímpica de Barcelona, o "The Undefeated" apresenta 5 cenários com diferentes possibilidades para o "Dream Team"

E se as coisas tivessem sido diferentes com o
Shaquille O´Neal não foi para Barcelona e foi o MVP do Mundial de Basquete em 1994 (Foto: USA Basketball)

Há 25 anos a seleção americana de basquete vencia a Croácia na Final dos Jogos Olímpicos de Barcelona por 117 e 85 e levava a medalha de ouro para casa.

Veja o jogo na íntegra aqui.

Era a coroação do "Dream Team", o "Time dos Sonhos", para muitos a maior equipe esportiva de todos os tempos. Aquele time venceu todos os seus jogos por uma margem de 43.8 pontos por jogo e teve um impacto gigantesco dentro e fora da quadra. Era a 1ª vez que os jogadores profissionais da NBA defendiam o USA Team e depois de Barcelona o basquete nunca mais foi o mesmo.

Na Final os cestinhas do jogo foram os croatas Drazen Petrovic (24 pontos) e Dino Radja (23), com destaque também para Toni Kukoc (16) - os 3 com passagens pela NBA posteriormente. Já pelo lado americano o nome do jogo foi Michael Jordan (22 pontos), seguido pelo cestinha do time nos Jogos Charles Barkley (17) e por Patrick Ewing (15).

Era a consagração do time comandado por Jordan, Magic Johnson e Larry Bird.

Porém, agora, 25 anos depois o repórter Justin Teasley, do "The Undefeated" publicou uma matéria no estilo "O que aconteceria se", apresentando possíveis realidades alternativas para o Dream Team.

Vamos dar uma olhada.

O que aconteceria se os americanos tivessem levado a medalha de ouro no Jogos de Seul em 1988?

E se as coisas tivessem sido diferentes com o "Dream Team" nos Jogos Olímpicos de Barcelona?
Danny Manning e David Robinson disputam bola com Arvidas Sabonis em 88 (Foto: Don Sutherland)

Segundo Teasley essa é a principal pergunta envolvendo o Dream Team.

Afinal, em 1988 os Estados Unidos foram apenas bronze, após serem derrotados nas semifinais pela União Soviética e foi essa resultado que levou à mudança que autorizou a participação dos profissionais da NBA nas olimpíadas.

Quem era contrário à decisão perguntava: "Você quer ver os melhores do mundo atropelarem todos os outros"? E a resposta foi sim para 56 dos 69 votantes na FIBA. Era, para Boris Stankovic, secretário-geral da FIBA "a entrada triunfante do basquetebol olímpico no século 21".

E realmente isso mudou o esporte.

Quer dizer que se não fosse a derrota na Coréia do Sul, talvez os jogadores da NBA nunca tivessem disputados os Jogos?

Possivelmente não.

Mas com a autorização para os atletas da NBA, jogadores como Magic Johnson, Karl Malone e Isiah Thomas logo se dispuseram a defender a seleção. Malone chegou a dizer: "Eu iria num piscar de olhos e pagaria minha própria passagem".

Uma exceção ao desejo de ir à Barcelona? Michael Jordan, mas isso mudou na sequência...

O que aconteceria se Jordan mantivesse sua posição e não se unisse ao Dream Team?

E se as coisas tivessem sido diferentes com o "Dream Team" nos Jogos Olímpicos de Barcelona?
Jordan decola diante de Angola (Foto: Mike Powell - Getty Images)

Um fator crítico na formação do Dream Team sempre foi a relação entre Jordan e Thomas.

E isso foi totalmente confirmado por MJ em um documentário sobre o Time dos Sonhos lançado em 2012, onde Jordan diz: "Essa foi uma das exigências que fiz. Que Isiah não tivesse na equipe".

A rivalidade entre ambos vinha desde 1985, mas, na verdade, pela forma com que Thomas conduziu sua carreira, a rejeição era geral. O que também foi assumido por Magic Johnson em seu livro “When the Game was ours“. Magic disse: “Falávamos o que era politicamente correto para a mídia na época em relação a Isiah, mas a real é que nenhum de nós gostaria de contar com Thomas naquele time. Nosso elenco era um grupo que se gostava, que apesar da rivalidade entre os times tinha um apreço gigantesco internamente, e ter alguém que havia brigado com todo mundo na década anterior não faria o menor sentido. Isiah colheu o que plantou, matando ele próprio as suas chances de jogar no Dream Team".

Mas voltando à Jordan, em 1989, quando começaram as especulações sobre a permissão dos profissionais nas olimpíadas, ele havia dito que não gostaria de jogar, pois já tinha uma medalha de ouro (em 1984). Para ele a única exceção seria "se o time que montassem não tivesse chance de ganhar", o que não era o caso.

Porém, em 1991 Magic disse que estava tentando convencer Michael a se juntar ao Dream Team, enquanto Isiah, um dos primeiros nomes ligados à seleção negava a disputa com o camisa 23 do Chicago Bulls.

"Quem não quer jogar com os melhores e vencer"? (Michael Jordan)

Só que em setembro daquele ano o nome de Jordan estava entre os 10 convidados oficialmente para formar o time, enquanto o de Thomas não.

E em março de 1992 o nome de Jordan era confirmado nos Jogos.

Não que sua ausência tivesse influência na conquista da medalha de ouro, mas certamente não haveria o mesmo impacto de mídia trazido pelo maior jogador de todos os tempos.

O que aconteceria se Shaquille O´Neal tivesse sido selecionado como o universitário do elenco no lugar de Christian Laettner?

E se as coisas tivessem sido diferentes com o "Dream Team" nos Jogos Olímpicos de Barcelona?
Shaq encara Duncan em amistoso contra universitários em 96 (Foto: USA Baskettbal)

Christian Laettner era o maior nome do basquete universitário americano em 1992, apesar de não ser uma unanimidade por sua postura (com direito até a documentário da ESPN).

Bicampeão de forma consecutiva por Duke e dono do arremessos do título, o ala-pivô era uma escolha natural após a decisão de incluir um jogador que ainda não havia chegado á NBA no elenco do Dream Team.

Porém, a escolha de Shaquille O´Neal como 1º do draft de 1992 e a forma como ambos desenvolveram suas carreiras a partir dali fazem a pergunta parecer mais óbvia do que era à época.

Só que Shaq teria dividido seu minutos com Pat Ewing e David Robinson e isso poderia fazer com que ele tivesse minutos e participação reduzida tal qual Laettner. Mas que seria legal ver ele exercer a dominância que logo viria a demonstrar pelo Orlando Magic em Barcelona, ah, isso seria.

Só que o momento de O´Neal chegaria logo e ele foi o MVP do Mundial de Basquete em 1994 (18 pontos e 8.5 rebotes em apenas 17 minutos de média) e campeão olímpico em Atlanta (96) ao lado dos membros do Dream Team Barkley, Robinson, Malone, Scottie Pippen e John Stockton. E ainda teve ao seu lado nomes como "Penny" Hardaway, Grant Hill, Hakeem Olajuwon e Gary Payton.

Pena que não o vimos ao lado de Magic, Bird e Jordan.

Veja aqui os melhores momentos de Shaq pela seleção americana.

O que aconteceria se Dominique Wilkins não tivesse rompido o tendão de aquiles?

E se as coisas tivessem sido diferentes com o "Dream Team" nos Jogos Olímpicos de Barcelona?
Wilkins enterra contra a Espanha no Mundial de 94 (Foto: Andrew D. Bernstein - Getty Images)

Dominique Wilkins foi um dos maiores nomes da NBA nos anos 80 e 90. Bicampeão do torneio de enterradas (1985 e 1990) em duelos contra Michael Jordan, Wilkins é um dos 5 "não pivôs" a ter médias superiores a 26 pontos por 10 temporadas consecutivas. Ao seu lado apenas Jerry West, Jordan, Allen Iverson e LeBron James.

"The Human Highlight Show", no entanto, não conseguiu sucesso por seus times, o que não o impedia de ser um sério candidato a ser membro do Dream Team, na vaga que posteriormente foi ocupada por Clyde Drexler.

Só que uma lesão no tendão de aquiles em janeiro de 1992, quando vinha com médias de 28.1 pontos por jogo, encerrou sua temporada e acabou com os sonhos de ir para Barcelona.

Wikins acabou compondo a seleção campeã mundial em 1994 (12.6 pontos em 16.5 minutos), mas ficará para sempre a pergunta sobre como seria sua participação do Dream Team. Era a 2ª vez que ele perdia a chance de jogar ao lado de Magic Johnson, já que em 1982 o Los Angeles Lakers optou por selecionar James Worthy ao invés de Wilkins no draft da NBA.

O que aconteceria se Magic Johnson não tivesse sido liberado para jogar?

E se as coisas tivessem sido diferentes com o "Dream Team" nos Jogos Olímpicos de Barcelona?
Magic comemora no pódio após receber a medalha (Foto: Mike Powell-ALLSPORT)

Em 1991-92 o HIV era um vírus ainda totalmente desconhecido e que trazia muitos medos e dúvidas. O próprio companheiro do seleção Karl Malone chegou a dizer que não gostaria de dividir a quadra com Magic.

E menos de 1 ano antes da estreia americana nos Jogos de Barcelona Earvin "Magic" Johnson havia anunciado que era portador do vírus da AIDS e que se afastaria das quadras - vale muito a pena conferir o documentário "The announcement", que retrata toda a situação vivenciada pelo ídolo do esporte Magic Johnson.

E até fevereiro de 1992 não se sabia se o Comitê Olímpico Internacional (COI) autorizaria a participação de atletas detentores do HIV nos Jogos Olímpicos.

A autorização veio, Magic foi confirmado no Dream Team e dias depois disputou o All Star Game da NBA de 1992. Uma atuação histórica, 25 pontos, 9 assistências, o Prêmio de MVP e uma bola de 3 que fez o jogo terminar antes do relógio zerar - confira aqui.

Mas e se o COI não permitisse a Johnson ir aos Jogos?

Além de toda a questão emocional envolvida, a ausência de Magic implicaria nas ausências também de Bird e Jordan.

Ou seja, será que esse time sem os 3 maiores nomes da época poderia ser chamado de Dream Team?

Isso nunca saberemos...

Ainda bem!

Enfim, são conjecturas e possibilidades que não aconteceram e que não se sabe como seria caso acontecessem.

Então o que nos cabe é relembrar, para os nostálgicos como eu que acompanharam os Jogos ao vivo, e admirar as jogadas que mudaram para sempre os rumos de um basquete cada vez mais globalizado após 1992.

Obrigado Christian Laettner, David Robinson, Patrick Ewing, Larry Bird, Scottie Pippen, Michael Jordan, Clide Drexler, Karl Malone, John Stockton, Chris Mullin, Charles Barkley e Magic Johnson!!!

#ILoveThisGame

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Sobre o Autor:

André C. Rocha

André C. Rocha

Apaixonado pela NBA desde que viu o Dream Team em 92, torcedor do Bulls e defensor da tese de que "73 não vale nada sem um título". Desde de 2014 tem um tumblr sobe esportes e que tem como assunto principal o basquete: http://entrequatrolinhas.tumblr.com

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