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O torcedor explica: as posições no basquete (parte 03)

Hoje vamos comparar os armadores tradicionais e os armadores nutella.

O torcedor explica: as posições no basquete (parte 03)
Armador Nutella (foto:NBA.com)

Feliz ano novo, pessoal! Sei que a data do texto sair é segunda-feira mas, vamos lá! Deem um desconto! Foi festa de ano novo pra mim tanto quanto foi pra vocês. ;)

Como um de meus desejos pro ano que se inicia é poder vivenciar mais e mais basquete em minha vida, vamos ao que interessa: resgatar nossas conversas sobre as posições de basquete.

No primeiro post da série (você confere AQUI), falamos sobre a quantidade de posições que o basquete moderno adotou. No segundo (clique AQUI para acessar), falamos sobre as funções que cada posição exerce. Hoje, vamos começar a comparar os jogadores de cada posição, cada um à sua época. Começando pela P1 – Armador (ou Point Guard, como já falamos em outros post).

Pra você que acompanha o Crônicas de um Torcedor, talvez tenha surgido a impressão de que acompanhei a NBA no final dos anos 80 e durante os anos 90 e que tenha algumas críticas em relação ao basquete atual. Por favor, deixe que eu esclareça que isso é um equívoco e que não tenho nenhuma resistência em relação a forma sem graça e competitividade que o basquete atual assumiu. Fiquem tranquilos que meus textos continuaram sendo imparciais a esse respeito.

Isso posto, vamos pra outro combinado: não vamos comparar os melhores jogadores de cada posição, em seu tempo. Apenas vamos comparar atletas de referência em sua posição, para ilustrar melhor as diferenças na forma de jogo, ok?

Pra começar, o armador tradicional. 

Sim, aproveitei a imagem do post anterior. (Foto: NBA.com)

Já ouviu falar em John Stockton? Foi draftado em 84 e jogou sua carreira inteira (até 2002/2003) no Utah Jazz. Em sua carreira, teve a média de modestos 13.1 pontos por partida e incríveis 10.5 assistências por jogo. Distribuiu 15.806 assistências ao longo de sua carreira, o que faz dele o recordista nesse fundamento na história da NBA. Pra vocês terem noção, o segundo lugar pertence a um cara que tem 3.715 assistências a menos.

Qual o segredo para números tão fantásticos no quesito assistências? O armador daquela época tinha a função de distribuir o jogo e fazer com que seus companheiros se vejam em condições de pontuar. Pro armador de ofício, pontuar é secundário.

Agora vamos ao armador atual.

Stephen Curry fez chover novamente no jogo 4 das Finais (Foto: twitter ESPN Stat & Info)
Corre e arremessa de 3. Esquece os parça... (Foto: twitter ESPN Stat & Info)

Conhece Stéfi Cãri? Aquele mesmo, amigo de Roby Porto? Então... Se olharmos somente essa temporada, ele tem média de 28.7 pontos por jogo e apenas 5.3 assistências, ou seja: o armador deixou de fazer o time jogar e tem por função pontuar.

Gente, não estou dizendo que pontuar não é importante. O cara é o astro do time, numa equipe repleta de franchise players. Mas armador tem que armar, quem pontua são os demais. Se compararmos com o armador de ofício clássico, o papel mudou muito, muito mesmo.

“Ah, Marcone, mas o que ele não dá de assistência ele compensa na pontuação”. Será? Stockton tinha 10 assistências por jogo o que equivale, no mínimo, a 20 pontos (se todas as conversões decorrentes de assistências foram de 2 pontos). Some isso com a média dele de pontos e temos 33 pontos por jogo em sua conta. Um número respeitável.

Lembram quando comentei, no post passado, que a função do PG hoje é sair correndo feito louco da quadra de defesa e jogar a bola pra cima, buscando a conversão de 3 pontos? Assiste qualquer jogo dos Warriors prestando atenção no jogo de Stephen Curry e depois me diz se não estou certo.

Se você não teve a oportunidade de assistir Stockton, pesquisa alguma coisa dele no Youtube depois. Vai ver que tem uma ou outra infiltração e a maioria dos destaques foi todo de assistências. 

Semana que vem continuamos nosso debate, falando dos alas, combinado?

Abraços a todos e feliz ano novo mais uma vez!

P.S: Rapaz, fui fazer as contas da contribuição por jogo de Stéf Cãri do mesmo jeito que fiz de Stockton e ia dar, no mínimo, 38 pontos... achei melhor nem comentar aqui para não derrubar meu argumento de defesa dos armadores antigos. 

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Sobre o Autor:

Marcone Marques

Marcone Marques

Bancário de profissão, psicólogo por vocação e fã de basquete por paixão. Casado e com dois filhos que adoram me provocar dizendo que gostam mais de futebol do que de basquete.

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