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O torcedor explica: as posições no basquete (parte 04)

Hoje vamos comparar dois alas com estilos bem distintos. Um deles, apesar de ainda estar em atividade, é um honrado representante da velha guarda.

O torcedor explica: as posições no basquete (parte 04)
Conhece alas de verdade? (Imagem: nba.com)

Hoje a conversa vai ser direta. Papo reto, sem rodeios. Vamos falar da posição que 90% dos seres humanos normais ocupam ao jogar basquete: ala.

Tente puxar pela memória, nas peladas aí perto de sua casa. Tem um ou outro grandalhão que vai logo pra pivô, outro cara que é o fominha e sabe driblar que vai jogar de armador e o restante da galera é todo o que? Ala.

Mas isso não é demérito, de jeito nenhum. Pra falar a verdade, ala é a posição mais versátil do nosso esporte. Isso, nos tempos que a internet era mato e o esporte era legal. Hoje o ala faz a mesmíssima coisa que o armador e, quando muito, um pouquinho do que o ala-pivô faz. Em todos os casos, seu serviço se resume a arremessar de 3.

Recapitulando nossa conversa, já tivemos outros três textos dessa série. Pra facilitar seu acesso, olha os links aqui:

PARTE 01: As posições no basquete 

PARTE 01: Comparando as funções antigas e as atuais 

PARTE 03: Comparando armadores antigos e modernos 

Mas, como falei, vamos direto ao ponto. Começo hoje com os alas nutella, citando como exemplo um ala que ocupa uma função bem especializada em seu time: Klay Thompson, jogador dos Splash Brothers Arremessos de 3 Clube.

Adivinha de onde ele arremessou? (Foto: ESPN.com)

Se, por um lado, você poderia dizer que o ideal seria trazer dois exemplos de alas modernos e apontar a diferença entre suas funções, por outro eu argumentaria como fiz na Parte 02 dessa série dizendo que as funções desses jogadores acabam sendo muito semelhantes hoje em dia: sair correndo da quadra de defesa e arremessar de longe. Então, vou citar um exemplo só, beleza?

“Ah, você está sendo monocórdico nesse discurso de que o basquete atual é só correr e arremessar de 3”. Se você pensou isso, deixe eu esclarecer com dois simples argumentos: 1) Falo porque é verdade. 2) Aprendi a palavra “monocórdico” essa semana e estava esperando uma oportunidade pra usar. Então fica só o argumento 01 mesmo. E voltamos pra Klay Thompson.

Compare o que ele faz com o que Curry, que é o armador do time, faz. Ambos pegam a bola na defesa, correm como loucos e chutam de onde der. É o esquema do time, eles são (em boa medida) responsáveis pela NBA como está hoje. Se o ataque estiver andando de forma articulada, contra uma defesa armada, eles tentam rodar a bola um pouco. Mas, se for transição vida louca, como acontece na maioria das vezes, quem conduz a bola “coast to coast” vai arremessar de onde der. E pode ser o próprio ala quem vai fazer isso. 

No basquete antigo, por sua vez, a função do ala é bem mais divertida. Quer ver um exemplo disso? Vince Carter. 

Ala de verdade invade o garrafão e ataca a cesta! (Foto: NBA.com)

O cara é das antigas, ainda em atividade, mas sempre fez e continua fazendo o papel do ala: ser versátil, ocupar vários espaços da quadra, marcar com qualidade e, o mais legal, bater pra dentro da defesa atacando o aro, arremessando de média distância ou, de preferência, partindo pra enterrada. 

Ele chuta de 3? Chuta. Corre na transição feito um louco? Claro, desde sempre. A diferença primordial está no momento da finalização. Enquanto Thompson vai frear a um ou dois passos da linha de 3 e arremessar, ele vai bater pra dentro procurando a bandeja, dois pontos e a falta. E adivinhem qual tipo de basquete é mais legal de assistir?

Na semana passada eu cometi o erro de trazer estatísticas aqui. Hoje, o argumento é só a diversão do jogo e o prazer de assistir. Bola de 3 é uma jogada necessária e estratégica, mas invadir o garrafão é a essência do basquete, o suprassumo da arte que esse esporte representa. E isso, galera, os jogadores atuais parecem querer desprezar.

Na semana que vem a gente fecha essa série falando dos pivôs. E, se o ala é a posição mais divertida do esporte, a gente tem que concordar que pivô é um cara que tem que saber dar show.

A gente se vê segunda que vem! Abraços!

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Sobre o Autor:

Marcone Marques

Marcone Marques

Bancário de profissão, psicólogo por vocação e fã de basquete por paixão. Casado e com dois filhos que adoram me provocar dizendo que gostam mais de futebol do que de basquete.

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