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Os melhores da TV brasileira na NBA - Ricardo Bulgarelli

Batemos um papo "no filter" com Bulga, que fala de sua trajetória, temporada da NBA e não fica em cima do muro no assunto Michael Jordan x LeBron James

Os melhores da TV brasileira na NBA - Ricardo Bulgarelli
Ricardo Bulgarelli, o Bulga, é nosso convidado na série "Melhores da TV brasileira" (Foto: ESPN)

Semana passada batemos um papo com Rodrigo Alves, comentarista da NBA no SporTV, numa agradável entrevista. Nessa semana, continuamos nossa série "Os melhores da TV brasileira na NBA" com um convidado pra lá de especial: Ricardo Bulgarelli, comentarista da NBA nos canais ESPN e agora também do jogo da semana da Vivo.

"Bulga" é visto como um grande estudioso do basquete e é impressionante ver como tem tudo na ponta da língua. Ele também é conhecido pelas transmissões divertidas ao lado de Rômulo Mendonça e Everaldo Marques, além do grande carisma e, acima de tudo, humildade. Não se esquivou das perguntas, foi diretamente "no filter" e nos recebeu muito bem. Confira a entrevista:

William Barbosa - Bulga, primeiramente queremos agradecer por nos conceder essa entrevista. Hoje você é uma referência quando se fala de basquete, principalmente NBA, na TV e nas redes sociais. Quando surgiu seu interesse por basquete?

Ricardo Bulgarelli – William, primeiramente agradeço as palavras e o convite também pra esse bate-papo, é sempre bom falar de basquetebol. Com relação ao meu interesse por basquete: sempre fui um cara que acompanhava todos esportes. Principalmente em época de Olimpíadas eu pirava e acompanhava tudo. Meu primeiro contato com basquete de alto nível foi em um Mundial [Interclubes] que teve aqui [em São Paulo] no início dos anos 80, em que o Real Madrid foi campeão em cima do Sírio. Eu fui nas primeiras rodadas - porque os ingressos eram mais baratos - ver o time do Real Madrid que era uma das potências do basquetebol europeu. Eu me lembro que gostei por ser algo diferente: eram muitas estatísticas (assistências, rebotes, pontuação) e você podia ajudar de várias formas a equipe... Aquela adrenalina de jogar contra o relógio chamava muita atenção quando eu era moleque - nesse campeonato eu devia ter uns 10 anos de idade. Esse contato com o Ginásio do Ibirapuera cheio e, depois, vieram as fases finais de campeonato paulista no início dos anos 80, tinha o Corinthians, Monte Líbano, Sírio, Francana, times mais fortes de São Paulo, sempre com o ginásio lotado... Acho que a atmosfera faz do basquete um esporte tão apaixonante: vitória no último segundo, muitas alternativas durante o jogo, não ter repetições de jogadas como, por exemplo, o vôlei... Tudo isso me chamava muita atenção.

William Barbosa - E onde você começou profissionalmente falando? Como foi sua trajetória até chegar à ESPN?

Ricardo Bulgarelli – Queria ser veterinário, e tinha um amigo no colegial que me “enchia o saco” pra fazer jornalismo, já que eu acompanhava todos os esportes, estatísticas dos jogos, sabia de cor quem tinha feito tantos pontos, não só no basquete... Eu conhecia todas as escalações do futebol brasileiro e futebol internacional, mas nunca me imaginei trabalhando com isso. Via mais como um hobby. Eu ia na loteria direto e quase bati os 13 pontos da Loteca (risos) por conta do meu conhecimento de futebol internacional. Sabia “zebra”, sabia onde algum resultado poderia surpreender por acompanhar a Liga Espanhola, Campeonato Inglês, Campeonato Italiano, que eram os que eu mais gostava de acompanhar.

Daí, depois de 3 anos tentando prestar Veterinária e só ficando na lista de espera da USP e UNESP, que eram de graça (Medicina e Veterinária já eram na época muito caras nas faculdades particulares), eu acabei indo fazer Rádio/TV na FAAP. Aí esse amigo meu (o que me enchia o saco no Colegial) estava trabalhando no Show do Esporte na Band e me chamou pra ser estagiário lá. Então eu comecei no auge do Show do Esporte, onde eu me imaginava trabalhar no auge da minha carreira e que era a grande referência: um domingo inteiro de esporte.

Assim, meu início foi na Bandeirantes, uma grande escola onde aprendi e foi muito importante. Depois de 9 meses fui para a ESPN e fiquei lá por 7 anos como estagiário, produtor, editor, editor-chefe do “Por dentro do basquete” - programa semanal de basquete e foi apresentado pelo Fábio Sormani, depois pelo João Palomino e então pelo André Kfouri. Antes disso fui pra Copa de 1998 porque eu também editava pro “Futebol no mundo”, programa de futebol internacional. Trabalhei em 3 All-Stars da NBA, Mundial de Indianápolis e tive uma passagem pelo US Open de tênis de 2001, que foi o melhor desempenho do Guga nas quartas-de-final sendo derrotado pelo [Yevgeni] Kafelnikov.

Essa foi a minha trajetória até a ESPN na minha primeira passagem. Depois disso tive passagem pelo SBT, onde fiz um Campeonato Paulista. Passei também pela Record e fiquei 12 anos lá coordenando transmissões esportivas até 2012, quando recebi um convite pra ser comentarista da NBA pelo Sports+, canal exclusivo para assinantes SKY. Nele tinha a NBA e, no ano seguinte, teve a Euroliga de basquete. Cheguei a comentar futebol na Champions League, mas meu foco sempre foi basquetebol profissional: NBA e o basquete europeu pelos quais sou apaixonado. Em 2015 o Sports+ fechou e o pessoal que me acompanhava criou uma hashtag nas redes sociais #ESPNContrataOBulga e #SporTVContrataOBulga. Em setembro de 2015, a ESPN me chamou de volta como comentarista de basquete.

William Barbosa - Você é declaradamente torcedor dos Trail Blazers...  Acha que esse ano eles podem sonhar mais alto? O que você espera do futuro da franquia?

Ricardo Bulgarelli – Me tornei torcedor do Portland por causa do Sabonis e do Petrovic, que foram os dois maiores que vi jogar pelos Blazers. Quando comecei a acompanhar NBA no fim dos anos 80 foi quando o Petrovic chegou pra jogar no Portland. Na época o Sabonis já tinha sido draftado mas não podia jogar por causa da Guerra Fria e o Portland tinha um grande time. Teve também um All Star Game em 1988 em que o Clyde Drexler (também jogador dos Blazers) matou 3 bolas de longa distância e que me chamou a atenção, além de gostar muito do uniforme do Portland.

Arvydas Sabonis, em passagem pelo Portland Trail Blazers no fim da década de 80 (Foto: Pinterest)

Sou torcedor e não vou deixar de ser nunca, mas sou bem realista: Não vejo nenhuma chance de sonhar mais alto. Acho que o time vai ter que lutar bastante. Apesar do começo surpreendente, vencendo jogos, Maurice Harkless machucado... vejo o time tendo muitas dificuldades pra chegar na pós-temporada. A conferência Oeste está cada vez mais difícil, o LeBron foi pra lá, são vários jogos contra adversários fortes, calendário mais puxado em relação ao Leste... Pra mim, chegar na pós-temporada está de bom tamanho.

Quanto ao futuro, eu temo pela não-permanência da equipe em Portland, ainda mais agora que faleceu o Paul Allen, dono da franquia. Eu ainda sonho ver os Blazers campeões da NBA, porque em 1977 era muito novo e não tínhamos as imagens da liga aqui no Brasil. Lembro que as imagens, VT’s e jogos ao vivo começaram a chegar na metade dos anos 80. E eu bati na trave duas vezes depois disso, porque perdemos o título em 1990 e 1992. Ainda espero ver um título apesar de achar pouco provável.

William Barbosa - Um dos momentos mais marcantes pra mim ao acompanhar suas transmissões foi o dueto que você fez com o Rômulo Mendonça num jogo dos Cavaliers contra os Wizards... “LeBron, ladrão, roubou meu coração” (risos)! Como é trabalhar ao lado dele e do Everaldo Marques?

Ricardo Bulgarelli – É muito fácil trabalhar com os dois. Eles são muito competentes e trabalham com amor, emoção, sabem dosar a informação... O Rômulo tem essas tiradas porque pensa muito rápido, é um cara antenado a tudo que acontece, o que está na boca do povo... Ele tem muita facilidade e todo mundo consegue identificar na hora nomes, frases e trocadilhos. Então as transmissões são muito prazerosas não só com os dois, mas também com o [Fernando] Nardini, Ari [Aguiar] e o Renan [do Couto]. Todos fazem um excelente trabalho nos canais ESPN e são ótimos narradores. O Everaldo e o Rômulo aparecem mais porque são mais escalados - as caras e “os caras” do canal e, além disso, são muito inteligentes. Conseguem tirar o melhor do jogo, colocar emoção e são muito verdadeiros.

Ricardo Bulgarelli (à direita) em transmissão com Rômulo Mendonça (Foto: Scoopnest)

A história do “Lebron, ladrão, roubou meu coração” foi uma frase que o Rômulo soltou antes de um pedido de tempo naquele jogo, onde o LeBron tinha acabado de conseguir 3 fadeaways impossíveis naquela sexta-feira à noite... Eu gosto da atmosfera de arquibancada, fico arrepiado em jogo de Euroliga e acho que falta isso um pouco na NBA: um torcedor mais apaixonado, cantando, vibrando. E quando eu ouvi aquilo na saída de bloco, entoei na minha cabeça como se fosse um grito de torcida e acabou virando um hit (risos). Primeiramente mérito do Rômulo e depois do LeBron. Acho que a temporada que ele fez agregou bastante ao hit e ajudou demais a música ter sido feita para o maior jogador da atualidade.

William Barbosa - Falando de NBA... O que você espera dessa temporada em termos de finais de conferência e NBA Finals?

Ricardo Bulgarelli – Pra mim o Golden State vai ser campeão. Estou na expectativa de ver como o DeMarcus Cousins vai se encaixar no time; os Warriors sabem que não vão ter dinheiro pra renovar e ele sabe que vai precisar mostrar serviço pra abocanhar um salário melhor no ano que vem. Então acho que ele vai jogar focado pra ser campeão, fazer uma temporada histórica e tem tudo pra ser o melhor time que já vi jogar.

Em relação ao Leste, Toronto vem muito bem e Kawhi foi uma adição excepcional. O Nick Nurse encontrou uma forma de jogar e trouxe o Ibaka pra dentro do garrafão. O banco de Toronto também é muito forte e acho que Raptors e Celtics farão uma série de 7 jogos nas finais de conferência. Boston vai ter mais dificuldades por conta dos “moleques” que foram bem na temporada passada. Com o retorno do Kyrie Irving e Gordon Hayward, Brad Stevens vai ter o trabalho de encontrar espaço pra todo mundo. É bom você ter um elenco com profundidade, mas é também um risco por conta de atritos no vestiário. Vamos ver como o Brad Stevens vai lidar com isso.

Então, se eu tivesse de apostar, apostaria numa final entre Toronto x Golden State, embora ache que não tenha nenhum time na liga capaz de ganhar de Golden State numa série de 7 jogos.

Para Bulgarelli, Warriors serão novamente campeões (Foto: Arquivo da Internet)

William Barbosa - Sem ficar em cima do muro (risos)... Michael Jordan ou LeBron James?

Ricardo Bulgarelli – Eu não gosto de comparar gerações mas, dos que eu vi jogar, LeBron James é quem mais se aproximou de Michael Jordan. Eu costumo dizer: “Michael Jordan é o maior jogador da história, e LeBron James é o melhor jogador que vi jogar.” O LeBron é mais completo, mas o Jordan mudou a liga e se tornou referência pra todo mundo. E pode ser que, daqui a 30 anos, a gente fale do LeBron da mesma forma que falamos hoje do Jordan. Então, o LeBron é o Michael Jordan dessa geração.

O Kobe Bryant foi quem mais se aproximou do Jordan em questão de imitar os movimentos dele e de ser vencedor, matando bolas importantes. O fato do LeBron ter demorado mais pra amadurecer e decidir os jogos coloca essa dúvida entre os dois (Kobe e LeBron), mas ele é capaz de marcar as 5 posições. Numa época em que o basquete era diferente, com pivôs dominantes, o Michael Jordan, por exemplo, não conseguiria marcar o Shaquille O’Neal, mas LeBron marcava o Kevin Garnett com muita competência.

Lebron James x Kevin Garnett (Foto: Pinterest)

Eu tenho 47 anos e só posso falar de jogadores que vi jogar em transmissões ao vivo. Sei que tem outros jogadores como Magic Johnson que foram fantásticos, o Larry Byrd, antes do problema nas costas, também... Mas o Jordan fez com que muitos se tornassem jogadores de basquete. Acho que no futuro o LeBron vai ter um peso maior do que tem hoje, mas o Jordan jogou 6 finais da NBA e ganhou as 6! Claro que ninguém ganha sozinho, mas individualmente ele era muito decisivo e confiante, plasticamente mais bonito de ver jogar. O LeBron também faz grandes jogadas, mas todo mundo leva mais pro lado da força. Então, pra mim, o melhor é o Michael Jordan, mas por muito pouco.

Michael Jordan ainda é o "GOAT" na opinião de Bulga (Foto: Getty Images)

William Barbosa - E o LeBron tem 33 anos, deve cumprir o contrato de 4 anos com os Lakers... Acha que ele se aposenta depois disso? Quem assumiria o lugar do Rei, na sua opinião?

Ricardo Bulgarelli – Confesso que não sei. Nesse ritmo, acho que se ele ganhar algum título com os Lakers, deve jogar mais uma temporada além do contrato. Dizem que ele vai esperar o filho dele pra jogarem juntos e, do jeito que se cuida, não duvido.

Não consigo ver ninguém ainda pra assumir o lugar dele. Antetokounmpo e Anthony Davis são muito bons, mas pra atingir esse status precisa ser vencedor. O Milwaukee faz uma boa temporada até agora; o Davis lida com várias lesões e, além disso, joga no Oeste, o que torna tudo mais difícil.

Acho que o Kevin Durant seria o melhor jogador do mundo nesse momento se o LeBron não existisse, mas o fato de ele jogar num “super-time” o coloca no mesmo nível, por exemplo, do Curry. Se ele jogasse no Brooklyn Nets seria um jogador muito mais dominante, pontuaria muito mais e carregaria a liga. É um cara que me agrada muito ver jogar.

O Antetokounmpo evolui a cada temporada e é muito forte, uma aberração... A cada ano que passa parece mais forte e mais alto, mais preparado e, dessa vez, está com um treinador mais experiente e que dá sinais de que vai ser uma temporada diferente. Gosto também do Kawhi, mas ele não tem esse perfil, é muito “zen” (risos)... Não é alguém pra ser a “cara” da liga. O Curry e o Durant são foras-de-série, mas jogarem em um “super-time” acaba por diminuir o peso e o “glamour” deles. Posso estar esquecendo de alguém, mas não vejo ninguém hoje pra carregar a liga e chegar a 8 finais seguidas com jogadores medianos/bons.

William Barbosa - A ESPN tem uma ótima cobertura do NBB, divide agora as transmissões da NBA com o SporTV, diversos sites e perfis das redes sociais falando de basquete...  Existe mais espaço para o crescimento da NBA e do basquete no Brasil?

Ricardo Bulgarelli – Sempre tem mais espaço para o basquete. É muito bom ter várias emissoras cobrindo o NBB, não só a ESPN, mas a Fox Sports, BandSports...  Na TV aberta a Band já se consolidou com boas audiências no sábado. A NBA já há algum tempo tem a cobertura nas redes sociais, com transmissões pelo Facebook e Twitter – que será o futuro das mídias – e o trabalho tem sido bem feito. Acho que falta transmitir de novo a Euroliga de basquete nos canais fechados. A Fox tem o campeonato espanhol e a ESPN tem o basquete universitário, mas o feminino está meio abandonado e poderia voltar a ter transmissões nas TVs aberta e fechada pra poder ressurgir.

É muito bom ver o momento do basquete no Brasil, um esporte que chegou a ser o 2° do país, que ganhava medalhas, brigava por pódio e não apenas participava. Lembro que em 1986 teve um Campeonato Mundial na Espanha e a TV Bandeirantes fez uma cobertura fantástica, transmitiu vários jogos, com o Brasil tendo uma chance real de medalha. Mas daí em 1988 em Seul teve a medalha de prata no vôlei na geração do Bernard, Renan e Montanaro e, em 1992, a medalha de ouro. Nesse momento, o vôlei toma o lugar do basquete no coração do brasileiro, que gosta de ver o time ganhando.

Aconteceu o mesmo na F1. O brasileiro, acostumado a ver Emerson Fittipaldi, Piquet e Senna brigando por títulos, perdeu o interesse quando não viu mais ninguém com chances de ganhar. Então, o que falta para o basquete brasileiro é um resultado de expressão a nível internacional, principalmente da seleção brasileira. Ter muitos brasileiros atuando na NBA nos últimos anos ajudou a divulgar, massificar e acho que o basquete está no caminho certo. O brasileiro voltou a jogar basquete e a gente percebe isso nas peneiras e categorias de base.

Quando comecei a acompanhar NBA tinha um jogo por semana apenas, mas hoje tem 10 jogos ao vivo por semana só na ESPN e SporTV, sem contar o League Pass, com cobertura completa, highlights... Eu até brinco que, quando o Zico fazia um gol pela Udinese no domingo, a gente só ia ver no outro domingo. Hoje o cara dá uma enterrada e, 10 segundos, depois, está na internet pra todo mundo ver. Então essa “overdose” de transmissões faz com que o garoto brasileiro que está crescendo queira jogar e ser igual o Curry, o Durant e o LeBron James. Fazendo a cobertura pela internet ou pela televisão, o importante é a criação de novas gerações de basquete, tanto masculino quanto feminino.

William Barbosa - Os brasileiros normalmente são preteridos nas equipes da NBA...  Acha que o problema tem a ver com o talento muito superior dos americanos e europeus ou algo mais contribui para a falta de destaque dos nossos jogadores?

Ricardo Bulgarelli – Os últimos brasileiros com destaque na NBA foram jogadores da posição 5. Só que o basquete mudou e exige hoje maior versatilidade do jogador, fazendo mais de uma posição. E isso acabou sendo uma dificuldade para os nossos jogadores. Falta intercâmbio e o trabalho na base não é bem feito.

Por exemplo, um jogador alto pra sua idade já é colocado pra jogar como pivô, mais pra frente não cresce e tem dificuldade pra se adaptar em outras posições. Falta um trabalho mais específico e um acompanhamento geral, mas isso está mudando com a entrada de outros clubes que fazem um tratamento diferenciado com comissões técnicas grandes. Tem clube onde o treinador não tem ninguém pra ajudar ou tem um assistente técnico, no máximo...

Fisicamente a gente está atrás dos americanos, e tecnicamente os europeus são mais bem preparados. E se não fosse o NBB a situação seria bem pior. O NBB resgatou um pouco o basquete [masculino], que devido à má administração ficou fora de 4 olimpíadas, muito tempo sem ter um intercâmbio com equipes de fora e aí fica difícil competir em alto nível. O talento aqui ainda existe, mas precisa ser melhor lapidado e melhor administrado. Às vezes, alguns agentes querem atropelar as coisas e “acelerar” o desenvolvimento...

São pequenos problemas que fazem uma bola de neve, mas há uma luz no fim do túnel pra dar a volta por cima. Torço pra que as próximas gerações sejam bem aproveitadas e torço pra que a CBB, sob o comando do Guy Peixoto, tenha sucesso e equilíbrio nas tomadas de decisão pra pensar, não a curto, mas a longo prazo. E que o basquete não caia mais até onde caiu em anos anteriores, principalmente o feminino que foi o último a nos trazer grandes conquistas na década de 90.

William Barbosa - Que mensagem você deixaria para quem quer praticar basquete profissionalmente e não desanimar com esse cenário desfavorável?

Ricardo Bulgarelli – Meu pai sempre falou pra que eu fizesse tudo com amor. Quando fazemos por amor, as chances de sermos bem-sucedidos naquilo que nos propomos é grande. É preciso respeito ao próximo, lealdade aos companheiros, dedicação máxima, saber que nada vem fácil e que é sempre uma luta árdua e diária. Você acaba abrindo mão de muitas coisas, mas quem tem foco e o sonho de ser jogador de basquete profissional nunca deve desistir dos seus sonhos e precisa que trabalhar firme todos os dias.

Encare seus treinamentos com seriedade e dê atenção em cada palavra dos seus comandantes. Saiba ouvir e falar também na hora certa. O basquete é um esporte maravilhoso, coletivo e você pode ser protagonista sem colocar a bola na cesta, ajudando sua equipe de outras maneiras, roubando bolas, dando assistências, fazendo bloqueios. Não é demérito ser especialista em algum fundamento.

Hoje eu costumo dizer que, se você não é talentoso, mas é forte fisicamente e dedicado, corre a quadra toda e se entrega de uma forma que, no final dos jogos, tem a consciência que deu tudo de si, você vai vencer no basquetebol. E se, além de tudo isso, tiver talento, então vai ser fora-de-série. Não pense apenas em si, mas também nos seus companheiros e você será um excepcional jogador.

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William Barbosa

William Barbosa

Fã da NBA na época do NBA Jam do SNES, viveu um tempo de quarentena até passar a acompanhar novamente a partir do basquete-arte do Golden State Warriors.

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