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Os melhores da TV brasileira na NBA - Rodrigo Alves

O comentarista de basquete do SporTV Rodrigo Alves concedeu entrevista exclusiva ao Sobe a Bola e fala de sua trajetória, seu trabalho e claro, NBA

Os melhores da TV brasileira na NBA - Rodrigo Alves
Rodrigo Alves bateu um papo com o Sobe a Bola (Foto: Globoesporte.com)

Tem aquele ditado que diz: "De comentarista e louco, todo mundo tem um pouco". Todos nós gostamos de dar nossos pitacos sobre qualquer assunto e, naturalmente, a NBA não foge dessa regra. Hoje temos inúmeros sites, perfis de Twitter, páginas do Facebook, Podcasts (ouça o nosso aqui) e canais que falam sobre a maior liga de basquete do mundo. 

Dentre tudo e todos que nos cercam nesse âmbito, existem aqueles que estudaram muito e trabalharam demais numa época em que não tínhamos toda essa cobertura em relação à NBA e, claro, são nas dificuldades que as pessoas acabam se superando. Profissionais que tinham que ir atrás de informação a todo custo em vez de gastar apenas alguns cliques ou "touchs" pra acessar uma notícia.

E assim, conseguimos bater um papo com quem conhece todas essas dificuldades e está se tornando um dos maiores profissionais da mídia brasileira, além de ser também um grande estudioso da história do basquete: Rodrigo Alves. Atual comentarista do SporTV, Rodrigo concedeu uma entrevista exclusiva ao Sobe a Bola com todo o carisma e inteligência que tanto têm agradado aos fãs que assistem ao basquete no canal. Confira:

William Barbosa - Rodrigo, qual foi a sua trajetória até se tornar comentarista de basquete no SporTV?

Rodrigo Alves - Eu comecei minha carreira em 1998, no Jornal do Brasil, onde fiquei por 8 anos, nas áreas de Literatura e Política. Não trabalhei com esporte, mas durante esse período, em paralelo, criei um blog de basquete chamado Rebote, em 2002. Quando saí do Jornal do Brasil, o blog já era conhecido na comunidade do basquete. E fui chamado para fazer um teste no Globoesporte.com, como comentarista. Passei no teste e fiquei três anos comentando as transmissões da NBA na internet, com o Roby Porto. Quando acabou esse contrato do site com a NBA, fui aproveitado no Globoesporte.com, onde trabalhei por 12 anos. Passei por várias áreas, inclusive a cobertura de basquete. Coordenei a equipe de esportes olímpicos durante um bom tempo, depois futebol, projetos especiais etc. Durante todo esse tempo, eu comentava basquete no SporTV esporadicamente, como convidado. No início de 2018, eles me fizeram o convite para me tornar comentarista fixo do canal, e passei a trabalhar nessa função.

Rodrigo Alves e Roby Porto em 2006 nas transmissões pela Internet (Foto: Arquivo da Internet)

William Barbosa - Como você vê o crescimento do basquete entre os brasileiros, principalmente em relação à NBA, tanto na prática do esporte quanto pela cobertura da mídia?

Rodrigo Alves - Hoje há uma febre de NBA no Brasil, o que é ótimo. E o basquete brasileiro tem aproveitado bem essa carona, com o NBB muito bem estruturado, e a LBF buscando seu espaço. Quando eu comecei a acompanhar basquete, a única opção na TV era o jogo semanal da Band. Não havia internet. E para saber os resultados, a gente tinha que comprar o jornal para conferir a notinha da NBA que saía no canto da página. E nem era o jornal do dia seguinte, porque não dava tempo de incluir, já que os jogos acabavam na madrugada. Os resultados saíam no jornal de dois dias depois. Quando alguém viajava, trazia algumas revistas americanas. E a Band exibia também o NBA Action com o resumo da semana. Era assim que a gente se informava sobre NBA, sem acesso nenhum a estatísticas ou jogos completos. Hoje não temos mais NBA na TV aberta, mas em compensação a TV por assinatura tem jogo quase todo dia, sem falar na facilidade da internet.

William Barbosa - Qual a sua perspectiva para essa temporada da NBA, em termos de finais de conferência e NBA Finals?

Rodrigo Alves - Difícil prever qualquer coisa agora, mas o normal é que o Golden State chegue à final mais uma vez, a não ser que algo dê muito errado. Ainda acredito numa recuperação do Houston, apesar do início ruim. No Leste, Toronto e Milwaukee começaram muito bem, mas ainda acho que o Boston tem condição de chegar à final da conferência. Se eu tivesse que apostar hoje, apostaria numa final entre Warriors e Celtics.

WB - Como é participar das transmissões ao lado de alguém tão carismático quanto o Roby Porto? Ele gosta do Curry né (risos)?

Rodrigo Alves - Eu conheço o Roby desde aquela minha primeira experiência em 2006. Ele foi muito generoso comigo e sempre me ajudou bastante. É um cara fenomenal. Então fiquei bem feliz por voltar a trabalhar oficialmente com ele agora no SporTV. Ele se dedica muito ao esporte, estuda muito e tem uma experiência muito ampla. A história com o Curry é engraçada, porque o Roby é torcedor dos Knicks, não tem nenhuma relação com o Curry ou o Golden State. Mas as narrações do auge do Curry ficaram marcadas, e quando a fama pega, não tem jeito. Hoje basta ele falar o nome do Curry para todo mundo dizer que está torcendo. Faz parte, é do jogo, e ele mesmo se diverte com isso.

WB - Como você se sente sabendo que faz parte de um quadro de comentaristas que conta também com grandes nomes da história do basquete brasileiro como Hortência e Marcelinho Machado?

Rodrigo Alves - Para quem ama o esporte, como eu, é claro que é um baita privilégio. Algumas pessoas não têm muita noção do que foi a Hortência como jogadora. Ela é simplesmente um dos maiores nomes da história do basquete mundial. Na primeira vez em que fiz uma transmissão com ela, foi até estranho. Depois a gente vai se acostumando, mas recentemente cheguei a comentar isso numa transmissão do NBB: às vezes a gente esquece o que representa estar ali ao lado dela. É uma personagem gigante. O Marcelinho também tem uma história enorme no basquete. Por enquanto eu só fiz um jogo com ele, justamente a abertura dessa temporada da NBA, e foi muito bacana. Ele tem se preparado muito para as transmissões, faz vários estudos, chega com muita informação. Além da bagagem da quadra, né, que sempre acrescenta muito. Acho que ele vai se tornar um grande comentarista.

Rodrigo Alves comentando pelo SporTV ao lado de Roby Porto e Renatinho (Foto:Twitter)

WB - Como você vê a carreira de LeBron James e seu legado para a NBA? Acha que o Curry, em termos de realizações, carisma e títulos, pode substituir o Rei?

Rodrigo Alves - Falando em privilégio, é o que eu sinto por ter acompanhado a carreira do LeBron desde o início, desde o colegial. É muito legal ver, pouco a pouco, o cara subindo os degraus na lista dos maiores de todos os tempos. Hoje, para mim, ele só está atrás do Michael Jordan (e essa posição foi conquistada recentemente, depois daquele playoff insano da temporada passada). E fora da quadra é um cara incrível também, que se posiciona socialmente, é fundamental para a comunidade e para o esporte. O Curry é fantástico, revolucionou os arremessos de três, mas na minha opinião não está no mesmo nível do LeBron. Bem longe disso, aliás. Curry não é sequer um top 15 da história da NBA - o que não é nenhum demérito, porque só tem gênio nessa lista. Então não acho que é ele o cara para ficar com o legado do LeBron. Para mim, por exemplo, o Durant está acima do Curry em grandeza, MVP de finais duas vezes, ótimo defensor, monstruoso pela seleção americana. Coisas que o Curry não tem. Mas vou parar de criticar do Curry, para o Roby não ficar bravo, né? (Risos). Mentira, sou muito fã do Curry também. E acho que ele tem grandes chances de ser MVP de novo nesta temporada.

WB - Por que você acha tão difícil os brasileiros se firmarem em um time da NBA? Estamos tão distantes assim dos americanos em termos de talento?

Rodrigo Alves - Primeiro, é uma questão geracional. Acho que a geração anterior (Leandrinho, Nenê, Splitter, Varejão) era mais talentosa que a atual, simples assim. E a confederação brasileira jogou décadas no lixo com um trabalho péssimo na base, na formação. Uma hora essa conta chega. Se você não consegue produzir bons jogadores em grande quantidade, há um reflexo na elite. E quando digo elite, digo seleção brasileira, e os jogadores com chance de jogar com destaque na NBA e na Europa. Temos alguns bons nomes, inclusive os muito jovens. Mas o momento para o Brasil na NBA não é de tanto destaque como foi recentemente. Ficamos na torcida.

WB - Toparia participar do Podcast do Sobe a Bola no futuro, sem cachê (risos)?

Rodrigo Alves - Eu nem sempre consigo, porque a rotina é corrida, então nem sempre dá pra atender todo mundo. Aí eu fico numa situação super desconfortável (risos), fico sem graça. Como não consigo participar de todos, já até declinei alguns convites de podcasts justamente para não atender um e deixar o outro chateado. Isso me deixa bem constrangido, porque por mim eu gravaria com todo mundo, mas infelizmente não é possível. Então tento compensar na resenha do Twitter, trocando ideia com todo mundo que me procura. Ali todo mundo é parte da mesma comunidade, e o nível da galera é altíssimo. A comunidade do basquete no Brasil vive um grande momento. Para quem trabalha com isso, é um privilégio. Tomara que só cresça.

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Sobre o Autor:

William Barbosa

William Barbosa

Fã da NBA na época do NBA Jam do SNES, viveu um tempo de quarentena até passar a acompanhar novamente a partir do basquete-arte do Golden State Warriors.

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