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José Alberto Junior

José Alberto Junior

Fascinado pela NBA e pelo espetáculo que ela proporciona. Fã de grandes jogos e grandes jogadores. Também acredita que os Playoffs separam os homens dos meninos.

LeBron James, o nosso super herói

Derrubando todas as desconfianças e calando os críticos, LeBron James consolida-se como o maior de sua geração dia após dia

POR José Alberto Junior dia
LeBron James, o nosso super herói
Seria LeBron James um super herói? (Foto: montagem)

Algumas pessoas sempre procuram um herói ou alguém que as salve do dia a dia terrível em que vivemos. Seja a imagem de um pai, tio, amigo ou mesmo de instituições, procuramos no outro a imagem de salvador da pátria que tanto acreditamos precisar. Outros, do contrário, insistem em identificar vilões, atribuir culpas e sobrecarregar terceiros. Esses talvez sejam a maioria em nossa sociedade.

LeBron James, astro do Cleveland Cavaliers, vem experimentando os dois lados da moeda em sua carreira brilhante na NBA. Confesso, no começo eu gostava de tê-lo como vilão, alguém que eu me sentia bem em ver sair derrotado de quadra. Mas não tem jeito: LeBron James é um super herói. E digo mais: um super herói solitário, em uma jornada individual rumo ao título da NBA - o que não me parece provável nessa temporada.

LeBron nasceu em uma família atingida por problemas sociais, cresceu sem pai, surgiu para o basquete ainda jovem no Colegial e despontou na NBA como um astro ainda cedo. O roteiro era de um super herói, daqueles que a cidade toda o abraça. E foi o que aconteceu até a famosa "The Decision", quando James optou, em rede nacional, por levar seus talentos até Miami e se juntar a Dwyane Wade e Chris Bosh. James então viu seu status mudar de herói para vilão. Seria ele o Batman? O super herói humano que, por um erro de interpretação de todos, viu seu prestígio ir ralo a baixo? Talvez.

James então conquistou a NBA, o mundo, e se consolidou - ainda mais - como um dos melhores jogadores de todos os tempos. Bi campeão da liga, James agora tornava-se "King" e assumia o trono da maior liga de basquete do mundo. Respeitem o rei, súditos! 

Era então hora de voltar. E LeBron voltou.

Ao som da melosa "i'm coming home", LeBron decretou seu retorno a Cleveland, seu berço, sua cidade, para tentar, mais uma vez, levar toda uma cidade ao seu sonho: um título. Um mísero título de uma liga profissional norte-americana. LeBron tinha a missão de encerrar um jejum histórico, que durava décadas, e que colocava Cleveland como a chacota nacional. 

Não seria fácil para o Rei. A NBA era dominada pelo Golden State Warriors, que fizera uma assombrosa temporada de 73 vitórias em 82 jogos. Isso mesmo. O time da Califórnia não perdera nem 10 partidas das 82 que disputou ao longo da temporada regular, o que a credenciava como a franca favorita ao título da NBA. Parecia apenas questão de tempo. Parecia...

James conduziu seu time ao impossível e deu à cidade de Cleveland o tão sonhado título da NBA. LeBron cumprira sua promessa, e todo um povo agora o saudava. "Viva o Rei! Vida longa ao Rei", eles provavelmente diziam. James estava em lua de mel com seus súditos. 

Agora LeBron tenta nos provar novamente que seu status é diferente dos demais. É Rei? Acredito que não. James é super herói. Com um time frágil e sem técnico, James destoa dos demais e conduz praticamente sozinho sua franquia ao impossível. O Celtics abriu 2 a 0 na séria e a infindável fonte estatística da NBA já apontou que os verdes jamais perderam uma série após abrir 2 a 0. Mas eles perguntaram se LeBron gosta de estatísticas? Acho que não.

Classificando ou não seu time para a finalíssima da NBA, LeBron já tem seu nome escrito na história da liga. Bem provável que existam poucos que ainda duvidem do Rei. Eu não sou louco. Não duvido de super heróis.

Vida longa a LeBron James!

 

Derrick Rose e o talento traído pelas lesões: do MVP ao departamento médico

Rose anunciou recentemente que vai repensar a carreira; da ascensão meteórica ao declínio físico, astro provou quase de tudo na NBA

POR José Alberto Junior dia
Derrick Rose e o talento traído pelas lesões: do MVP ao departamento médico
Derrick Rose vai repensar sua carreira no basquete (Foto: Autor desconhecido)

Em 2008 o Chicago Bulls, uma das franquias mais conhecidas do planeta, tinha menos de 2% de chances de primeira escolha na Loteria do Draft da NBA. A equipe de Illinois há anos precisava de um novo ídolo, tempos depois da aposentadoria de Michael Jordan, e buscava sair da sombra da década mais gloriosa de sua história. As chances eram poucas, mas Chicago se deu bem.

Com a surpreendente primeira escolha do Draft de 2008, os Touros selecionaram um jovem nascido em Chicago e que vinha de uma boa e única temporada no basquete universitário com o Memphis Tigers de John Calipari. O jovem era Derrick Rose, jogador mais cobiçado daquele recrutamento. Era o tiro certo de uma das franquias mais queridas da NBA.

 

Já em sua temporada de estreia, bem ao estilo Matanza "Pé na porta e soco na cara", Derrick Rose mostrou a que veio. Titular em 80 das 81 partidas que disputou, o jovem de apenas 20 anos acumulou médias interessantes de 16,8 pontos, 6,3 assistências e 3,9 rebotes por noite. Os Bulls ainda tinham Vinny Del Negro no comando técnico, e as 41 vitórias os levaram aos Playoffs sem muitas esperanças. Resultado: queda na primeira rodada. Rose, porém, foi escolhido o calouro do ano da NBA, e sua carreira já mostrava suas características meteóricas.

Derrick Rose e o talento traído pelas lesões: do MVP ao departamento médico
Derrick Rose com o troféu de calouro do ano em 2009. (Foto: Associated Press)

O jogo de Rose era atraente, marcado por infiltrações, pontos no reverso e enterradas de tirar o fôlego. O camisa 1 de Chicago já era sucesso na liga, atraía os olhares do mundo todo com seu talento. O jogo coletivo do Bulls não colaborava, mas assistir o jovem armador era um alento para os fanáticos de Chicago. As duas primeiras temporadas de Rose na NBA foram só o cartão de visitas. O melhor ainda estava por vir.

A chegada de Tib's e a consagração

A temporada de 2010/11 da NBA foi especial para o Chicago Bulls e para Derrick Rose. A chegada de Tom Thibodeau, ex assistente técnico de Doc Rivers no Boston Celtics, deu novos ânimos a equipe, que fez a incrível campanha de 62 vitórias e 20 derrotas na temporada regular (até o Golden State Warriors mal acostumar os fãs da NBA, temporadas de 60+ vitórias eram realmente marcantes). Liderando a NBA, o time de Chicago se credenciava como um dos favoritos ao título da liga.

Rose, que já era um All Star, era a grande esperança do time. Em seu terceiro ano na liga, o jovem carregava a tradicional franquia em busca do título da maior liga de basquete do planeta. Os 25 pontos e as 4,1 assistências de média durante a temporada regular, mas principalmente suas atuações espetaculares, renderam a Rose o troféu de MVP da NBA, o prêmio individual mais cobiçado do basquete mundial. Com apenas 22 anos, Rose é até hoje o MVP mais novo da história da NBA.

O título não veio (o Bulls acabou perdendo a final da Conferência para o Miami Heat de LeBron James), e o time de Chicago deixou escapar aquela que fora a chance mais próxima de glórias da era pós Jordan até então. O jovem armador falhara na missão de levar o time ao topo, mas seu calvário apenas começara. O pior para Rose estava por vir.

As seguidas lesões, a saída de Chicago e a possível pausa na carreira

A temporada seguinte foi péssima para Derrick Rose. O rompimento do ligamento cruzado de seu joelho o limitou a apenas 39 partidas, além de o afastar por mais de 1 ano da liga. A campanha promocional de seu retorno a NBA foi um sucesso, rendendo ainda mais dinheiro ao astro, mas na prática as coisas não funcionaram. Em 2013/14, outra tentativa de retorno, ainda mais melancólica: apenas 10 partidas na NBA. Já não se esperava mais que Rose fosse o mesmo.

Nas outras duas temporadas seguintes (2014/15 e 2015/16), o armador somou apenas 117 partidas de temporada regular com o Bulls, mostrando apenas lapsos do que foi o armador mais empolgante ofensivamente dos últimos anos - talvez pós-Iverson. Rose e Chicago já não pareciam mais ter sintonia, e o rompimento foi iminente.

Rumo a NY, Rose juntou-se a Carmelo Anthony e Kristaps Porzingis no Knicks, dando certo entusiasmo aos fãs de basquete da Big Apple. Sem sucesso, porém, não alcançando sequer uma vaga na pós temporada da NBA. Rose precisava mostrar serviço.

Juntar-se ao Cleveland Cavaliers de LeBron e cia. pareceu uma ótima alternativa para Rose, que não queria correr muitos riscos na liga. Seus fantasmas, porém, retornaram. Com apenas 7 partidas disputadas e assombrado mais uma vez por suas lesões, Rose colocou seu futuro no basquete em risco, comovendo grande parte da liga. É o corpo traindo a mente.

O garoto nascido, criado e consagrado em Chicago parecia ter, assim como o herói grego Aquiles, um ponto fraco capaz de o desestabilizar. Suas lesões o tiraram mentalmente do jogo, e Rose pode deixar o esporte que ama e que fez muitos amarem por incapacidade física. Torcemos para que isso não aconteça, e que o retorno do astro seja breve. Ficamos no aguardo de muitas infiltrações e das bandejas no reverso marcantes do camisa 1 de Chicago.

Força, Rose!

Mike D'Antoni, o melhor técnico da temporada 2016/17 da NBA

D'Antoni, que teve sua primeira temporada à frente do Houston Rockets, levou o prêmio de melhor treinador da temporada da NBA

POR José Alberto Junior dia
Mike D'Antoni, o melhor técnico da temporada 2016/17 da NBA
Com desconfiança dos fãs e da imprensa, D'Antoni era apresentado no Houston Rockets (Foto: nba.com)

Em 2014, depois de duas terríveis temporadas comandando o tradicional Los Angeles Lakers, Mike D'Antoni foi demitido e estava disponível no mercado. Marcado pela péssima passagem por Los Angeles e pela não menos pior passagem como comandante do New York Knicks, D'Antoni sabia que seria difícil encontrar alguma equipe para dirigir. E foi. 

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Fiasco: passagem conturbada de Dwight Howard pelo Los Angeles Lakers marcou D'Antoni. (Foto: SportsIllustrated.com)

Após duas temporadas parado, D'Antoni foi a aposta da diretoria do Houston Rockets para elevar o patamar da equipe do Texas, que conta com James Harden em seu elenco e almejava vôos maiores na liga. Desacreditado, D'Antoni viu sua equipe ser cotada como, se muito, 6ª colocada em sua Conferência. As previsões, pelo menos da mídia, eram desanimadoras.

Contrariando (quase) todas as previsões, D'Antoni levou o time vermelho do Texas à terceira melhor campanha geral da NBA com 55 vitórias e 27 derrotas, ficando atrás apenas do Golden State Warriors, futuro campeão, e do San Antonio Spurs, que desde à Idade Média ocupa as cabeças da Conferência Oeste.

D'Antoni conseguiu imprimir um estilo de jogo empolgante no Rockets, priorizando os arremessos de longa distância, mas sem forçar as jogadas. A equipe converteu 1181 arremessos de 3 pontos, ocupando a primeira colocação geral na temporada. O time de Houston ainda foi a segunda em média de pontos na liga, com 115,3 pontos por partida, atrás apenas do Golden State Warriors, que terminou a temporada regular marcando, em média, 115,9 pontos por partida.

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D'Antoni aponta para James Harden. Camisa 13 evoluiu seu jogo sob comando de Mike. (Foto: Autor Desconhecido)

Outro trunfo de D'Antoni na temporada foi elevar, ainda mais, o nível de jogo de James Harden. Sob o comando do técnico, Harden foi forte candidato a MVP da temporada regular, angariando médias de 29,1 pontos e 11,2 assistências por jogo. Neste último quesito, Harden liderou a liga. Os foguetes decolaram.

A temporada impressionante de D'Antoni lhe rendeu, então, um espaço entre os três técnicos que concorriam ao prêmio de melhor da temporada da NBA. Ao lado de Gregg Popovich, do San Antonio Spurs, e de Erik Spoelstra, do Miami Heat, D'Antoni foi o finalista da premiação. E levou. Desbancando o sempre bom e indiscutível melhor técnico da NBA, e não da temporada, Gregg Popovich, e Spoelstra, que, convenhamos, ninguém sabe o que estava fazendo lá na final, D'Antoni foi coroado o melhor técnico de 2016/17 da NBA.

Merecido; mas, apesar de surpreendente, não é novidade. Não para D'Antoni. Em 2005, quando comandava o timaço do Phoenix Suns que contava com Steve Nash, Amar'e Stoudemire, Leandro Barbosa e Shawn Marion e venceu 62 partidas na temporada regular, caindo apenas na final de Conferência, o técnico de raízes italianas também foi condecorado o melhor da liga em seu posto.

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Saudosismo: parceria D'Antoni-Nash fez sucesso na NBA. (Foto: si.com)

Doze anos, algumas decepções e muitas desconfianças depois, D'Antoni parece ter se reencontrado na liga. A expectativa para as próximas temporadas é boa, apesar de não se poder contar com o título quando a concorrência inclui a constelação do Golden State Warriors de Kevin Durant, Stephen Curry e cia., e o Cleveland Cavaliers de LeBron James, D'Antoni e o Rockets podem, pouco a pouco, mostrar que ambos ainda possuem representatividade na NBA.

O passado ficou no passado para D'Antoni, o melhor técnico da última temporada da NBA.

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"Críticos, não consigo ouvir vocês". (Foto: Karen Waren/Houston Chronicle)

Como Kevin Durant elevou (ainda mais) o nível do Golden State Warriors

Durant, que disputa sua primeira temporada no time de Golden State, está na iminência de seu primeiro título da NBA; de quebra, pode ser o MVP das finais

POR José Alberto Junior dia
Como Kevin Durant elevou (ainda mais) o nível do Golden State Warriors
Kevin Durant (Foto: CSN Bay Area)

A última offseason trouxe um presente espetacular para o Golden State Warriors: Kevin Durant. O ala, que havia disputado toda sua carreira na NBA com o Oklahoma City Thunder, havia decidido mudar de ares em busca do tão sonhado título da NBA. Para Durant tudo o que podia ser feito em Oklahoma já havia sido feito, e o título, que passou perto em 2012, estava mais distante.

Como Durant não é bobo nem nada, ele escolheu jogar aonde? No Golden State Warriors, time que já contava com Stephen Curry, Draymond Green e Klay Thompson em seu elenco, além de ser comandado pelo competente Steve Kerr. Era o caminho mais curto para o título e Durant sabia disso. Sabia, também, que receberia uma chuva de críticas pela decisão, o que de fato ocorreu. Mas "K.D." estava decidido, arrumou suas coisas e se mudou para Oakland, na Califórnia.

Mais uma estrela para a constelação

Como Kevin Durant elevou (ainda mais) o nível do Golden State Warriors
O novo "super-time" do Warriors (Foto: Rocky Winder/Getty Images)

O currículo de Kevin Durant o credenciava a ser franchise player de qualquer equipe na NBA. MVP em 2014, 4 vezes o cestinha da liga, 8 vezes selecionado para o All Stars Game, escolhido 7 vezes para um dos times ideais da NBA e calouro do ano em 2008, Durant tem bagagem de sobra na liga e apenas 27 anos. 

Se mudar para uma equipe como o Warriors, porém, é um pouco diferente das demais, tendo em vista o modo como a franquia conduz seu jogo. Apesar de contar com Curry como seu "rosto", a Dubnation preza mais pelo jogo coletivo do que pelo individualismo. Prova disso é que, não raro, nomes como Klay Thompson e Draymond Green decidem partidas para o time.

Outro fator que colabora para o pensamento coletivo do Warriors é o prêmio de MVP das Finais de Andre Iguodala, que veio do banco em 2015 para se tornar o mais decisivo jogar da série final da liga. Durant, então, chegava em um time onde ele não teria que carregar o piano sozinho. Um grupo de operários de luxo estava disposto a ajuda-lo a se tornar campeão.

O impacto de Durant no Warriors

Como não poderia deixar de ser, logo em sua primeira temporada com o Golden State Durant já mostrou que não veio para brincadeiras. O astro terminou sua primeira temporada, encurtada para 61 jogos devido a uma lesão, com 25,1 pontos, 8,3 rebotes (maior média da carreira), 4,9 assistências e 1,6 tocos por jogo (também melhor marca da carreira).

Durant ajudou o Warriors, que vinha de uma temporada histórica de 73 vitórias e apenas 9 derrotas, a manter-se como a melhor equipe da temporada regular: foram 67 vitórias e apenas 15 derrotas, alcançando o primeiro lugar geral e garantindo vantagem do mando de quadra contra qualquer que fosse o adversário na pós-temporada.

E pra quem achava que a chegada de Durant ao Warriors fosse comprometer a pontuação de jogadores como Thompson e Curry, se enganou. Enquanto Curry diminuiu sua média de pontos para 25,3 após uma temporada atípica de 30,1, Thompson aumentou sua média de 22,1 para 22,3 (maior média da carreira de Thompson). Na mesma pegada, Durant obteve seu maior aproveitamento nos arremessos de quadra: 53,7% de field goal.

Decisivo quando precisa

Outro fator, e talvez o mais importante até agora, é a frieza de Durant. Calejado e já com uma disputa de finais no currículo, quando perdeu para LeBron James e o Miami Heat em 2012, Durant vem se mostrando decisivo na série final da liga.

Melhor jogador do Warriors no confronto com o Cavaliers, Kevin Durant colocou o time da Bay Area a uma vitória do cobiçado título ao ser decisivo nos minutos finais do Jogo 3, vencido pelo Warriors, que abriu 3 a 0 na série e manteve-se invicto nos Playoffs. Depois de uma partida equilibrada, Durant assumiu o protagonismo no final de conseguiu a virada para o time visitante.

O jogo 3, aliás, não foi exclusividade na série para Durant. O camisa 35 também havia sido fundamental no Jogo 1 e no Jogo 2. Na primeira partida, Durant flertou com o triplo duplo ao marcar 38 pontos, pegar 9 rebotes e dar 8 assistências. No jogo seguinte, novamente Durant roubou a cena, foi cestinha, anotou um duplo duplo de 33 pontos e 13 rebotes e deu a segunda vitória ao time de Oakland na série.

Provável MVP das finais

O desempenho de Durant, que tem média de 34 pontos na série final da liga, já o coloca como favorito ao prêmio de MVP das finais, que coroa o melhor e, consequentemente, o mais decisivo jogador da série. 

O bom desempenho de Durant é ainda mais evidente quando lembramos quem é o matchup do astro nas finais: LeBron James. Durant compete jogo a jogo, lance a lance com o jogador de maior aptidão física da NBA. E se dá bem. Não que um ofusque o outro, mas os duelos estão sendo de tirar o fôlego. 

A versatilidade de Durant, que arremessa do perímetro, infiltra, dá assistências e pega rebotes, dificulta o serviço de marcação, mesmo que ele seja desempenhado pelo "Rei". James, aliás, sofreu com um lance no jogo 1 da série, em que acabou no chão e assistiu a uma enterrada do adversário.

Sem ouvidos para as críticas

Como já era de se imaginar, a mudança de Durant para o Golden State Warriors movimentou os críticos de plantão da NBA. Charles Barkley, lendário ex-jogador da liga e notório falastrão nas bancadas das emissoras norte-americanas, criticou o astro pela sua escolha pelo suposto "caminho mais fácil" ao título da NBA.

Uma das principais críticas sobre mudanças como a de Durant se dá pelo desequilíbrio técnico que elas trazem para a liga, fortalecendo grandes mercados e enfraquecendo outros. O camisa 35, porém, deu de ombros com isso e se eximiu de qualquer culpa, alegando que cada franquia é culpada pela sua própria sorte.

Por pouco a temporada não acabou mais cedo...

Em duelo com o Washington Wizards no final de Fevereiro, Durant se envolveu em um lance curioso com Zaza Pachiula, companheiro de equipe, que acabou por lesionar o seu joelho e o tirar de 19 jogos da temporada regular. O Golden State Warriors chegou a achar que fosse o final da linha para Durant na temporada. O próprio Durant achou que sua temporada tivesse acabado, o que, por sorte, não aconteceu.

E o futuro?

Quando fechou com o Golden State Warriors antes do início da temporada, Durant assinou um vínculo de duas temporadas, sendo apenas uma delas garantida. A ideia de Durant era clara: testar o mercado ao final da temporada, o que não necessariamente implica em uma saída do astro de sua nova "casa".

Para continuar no Warriors e talvez estabelecer uma nova dinastia na liga, Durant terá que abrir mão de dinheiro. Elegível para um contrato máximo, que lhe renderia algo em torno de US$ 35 milhões por temporada, Durant teria que receber "pouco" mais de US$ 32 milhões para continuar em Oakland, uma vez que o Warriors terá seu salary cap comprometido com a renovação de Curry, que, com certeza, não abrirá mão do salário máximo.

Pesa positivamente para o lado do Warriors, porém, que Durant já se mostrou convicto de ter feito a escolha certa ao se mudar para a Califórnia. E não parece que Durant blefou, tendo em vista que ele, inclusive, recusou assinar com o Waashington Wizards, terra de sua cidade natal, para se juntar ao Golden State.

No momento Durant desfruta do que é jogar no melhor time da liga. Ambientado, o ala está na iminência de conquistar seu tão cobiçado título da NBA, uma vez que o Warriors leva vantagem confortável sobre o Cavaliers na final (nunca uma equipe tomou uma virada após estar vencendo uma série por 3 a 0), e também pode ser coroado o melhor jogador dessas finais. Tudo leva a crer que, se Durant optar pela escolha certa, teremos um novo domínio na NBA pelas próximas temporadas.

Afinal de contas, LeBron James vai ser melhor do que Michael Jordan?

LeBron, que domina sua geração, é apontado por muitos como um dos melhores jogadores de todos os tempos; comparações com Jordan são antigas

POR José Alberto Junior dia
Afinal de contas, LeBron James vai ser melhor do que Michael Jordan?
O abraço entre Michael Jordan e LeBron James. Seria o "Rei" melhor do que Jordan? (Foto: Streeter Lecka/Getty Images)

LeBron James é o melhor jogador atualmente da NBA e, sem dúvidas, um dos melhores de todos os tempos. Se existisse um Monte Olimpo ou talvez um Monte Rushmore das lendas da NBA, LeBron teria, com absoluta certeza, seu lugar garantido. A pergunta que paira pelos ares, porém, é uma: seria LeBron James melhor do que Michael Jordan? Se não, ele o poderia alcançar em um futuro próximo?

Afinal de contas, LeBron James vai ser melhor do que Michael Jordan?
A parceria de lendas. Ícone popular, Jordan gravou com Michael Jackson, maior artista pop da história. (Foto: reprodução)

Para a primeira pergunta, na minha opinião, não. LeBron não é melhor que Jordan. Para a segunda pergunta, não posso responder. Afinal, não sou capaz de prever o futuro. Sempre existe a possibilidade de algo melhor acontecer. E nesse caso o "algo melhor" seria aparecer alguém mais importante que Jordan. Mas duvido.

Antes de mais anda, vale destacar que essa é minha opinião. É pessoal. Se você espera um comparativo entre os números das carreiras de ambos, não vai encontrar. Não aqui. Aqui eu pretendo discutir algo que vai além dos números. Algo que não se mede. Afinal, assim como diz a frase de Antoine de Saint-Exupéry que virou clichê "o essencial é invisível aos olhos". E assim o é nesse caso.

Afinal de contas, LeBron James vai ser melhor do que Michael Jordan?
O "Rei" saúda seus súditos. LeBron deu o primeiro título da NBA para Cleveland. (Foto: Phil Masturzo/TNS)

Jordan surgiu num momento muito importante para a NBA. Duas das maiores lendas que já passaram pelas quadras norte-americanas estavam dominando o cenário. Larry Bird e Magic Johnson, mitos de Boston Celtics e Los Angeles Lakers, respectivamente, foram os donos dos anos 80. O alcance e a visibilidade que os dois trouxeram para a liga foi sem precedentes. Mas Jordan já estava lá. Nada tímido, mas ainda sem o centro das atenções.

Já popular desde a época de North Carolina, Jordan começou a chamar a atenção na liga já nos anos 80 mesmo. Mas, como disse, ainda não era a hora de Jordan. Além do amplo domínio da dupla Bird-Johnson, o eterno camisa 23 do Chicago Bulls tinha outra pedra no sapato: os Bad Boys do Detroit Pistons. E essa pedra machucava. Pautados no jogo físico, mas também técnico, o time que tinha Isiah Thomas, eterno rival de Jordan, como líder, desbancou "Mike" até onde pôde. Até conseguir derrubar a barreira da franquia de Michigan, Jordan sofreu, e muito. 

Mas o tempo passou, Bird e Johnson envelheceram, os Bad Boys já não conseguiam mais impor o seu jogo físico e então chegou a hora de Jordan. Se os anos 80 foram da dupla Bird-Johnson, os 90 foram de "Air Jordan". Comandado por Phil Jackson e com seu fiel escudeiro Scottie Pippen, Jordan fez o que o Cérebro tramava todas as noites com o Pink: conquistou o mundo.

Seis vezes campeão na década, Jordan estava em todos os cantos, tinha marca própria (a Air Jordan, subsidiária da Nike e que leva seu apelido como nome) e encantava a todos dentro de quadra. A NBA chegava até a ser pequena para o astro, que resolveu levar seus talentos para o Dream Team norte-americano que humilhou os adversários nas Olimpíadas de Barcelona, em 1992.

Aliás, o planeta terra mesmo ficou pequeno para Jordan, que teve que ajudar o Pernalonga e seus amigos a salvar nosso globo dos Monstars em Space Jam (Warner, 1996). Jordan se tornou um ícone e atingiu o posto que poucos atletas na história do esporte alcançaram. Afinal, mesmo que você não conheça futebol, surfe, boxe e basquete, você com certeza já deve ter ouvido falar em Pelé, Kelly Slater, Muhammad Ali e Michael Jordan. Esses nomes transcenderam seus esportes.

Outro ponto deve ser levado em conta, mesmo que não seja tecnicamente ligado ao basquete. Assim como Wayne Gretzki no hóckey, com o número 99, e Jackie Robinson no baseball, com a camisa 42, Jordan eternizou um número. Até hoje o número 23 é cultuado como sagrado no basquete. Assim que um jogador escolhe a referida numeração, já surge o questionamento: teria ele sido influenciado pelo legado de MJ23? O Miami Heat reconheceu o legado da lenda e, mesmo sem ele nunca ter defendido as cores do time da Flórida, retirou sua numeração. 

Enfim, onde eu quero chegar? Muito mais do que em números, recordes, etc., Michael Jordan, o eterno camisa 23 do Bulls, tem uma importância imensurável não só para o basquete ou para a NBA, mas para o esporte mundial. Longe de ser um bom moço, Jordan influenciou diversas crianças (inclusive nomes como LeBron, Kobe Bryant e Allen Iverson) e, com certeza, encantou os pais delas com seu talento e frieza. 

Num futuro, quem sabe, LeBron possa superar Jordan. Sou fã de Kobe Bryant, mas lúcido o suficiente para saber que o "Black Mamba" não atingiu tal feito. Aposto que James também não o fará, mas também não será nenhum demérito, afinal, no mundo dos mortais eles estão entre os melhores. Mas Michael Jordan é imortal. Vida eterna à lenda.

Se LeBron James quiser chegar perto de Michael Jordan, só comprando uma casa perto da dele mesmo.

 

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