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Matheus Monteiro

Matheus Monteiro

Um completo viciado em basquete e NBA. Dono da página Air Ball Brasil e escritor da Boston Celtics Brasil, gosto de escrever textos polêmicos e que instiguem o leitor! Não deixe de seguir: @airballbrasil

Como devem se portar Pistons e Clippers após a troca mais inesperada da temporada

O que esperar do futuro das duas franquias?

POR Matheus Monteiro dia
Como devem se portar Pistons e Clippers após a troca mais inesperada da temporada
SB Nation

A inesperada troca de Blake Griffin para o Detroit Pistons movimentou a noite de segunda-feira na NBA. Depois de assinar no início da temporada um novo contrato de cinco anos para permanecer com a franquia, totalizando mais de U$ 171 milhões de dólares em salários, o Los Angeles Clippers trocou sua principal estrela e, em retorno, receberão Tobias Harris, Avery Bradley e Boban Marjanovic, além de duas escolhas de draft (uma de 1ª rodada e outra de 2ª). O repórter da ESPN americana, Adrian Wojnarowski, relata que o Clippers continua a se envolver em negociações em torno de DeAndre Jordan e Lou Williams, reforçando a ideia de que L.A. planeja remodelar sua rotação e iniciar um rebuild.

Em uma movimentação que, a princípio, não eleva o patamar de nenhuma das duas franquias, tentaremos destrinchar os pontos positivos e negativos e traçar planos para o futuro das duas equipes.

Detroit abriu a temporada 14-6 e imaginava-se uma sólida campanha antes de retroceder para a atual marca de 23-26. Em uma jogada arrojada, o front office viu uma oportunidade de negócio quando o Clippers começou a hesitar sobre seu futuro. Harris e Bradley eram os dois maiores pontuadores dos Pistons, mas ambos são essencialmente “role players de elite” que foram encarregados de tomar as ações ofensivas de um time sem muitas opções confiáveis.

Avery Bradley foi um dos destaques do Pistons na temporada. Fonte: Autor Desconhecido

Griffin, quando saudável, é um dos melhores jogadores da posição, cuja pontuação e qualidade de passe podem melhorar uma equipe. Sua adição cria uma oportunidade legítima para concorrer em uma Conferência Leste que parece não ter um franco favorito. Aliado com Andre Drummond, que atualmente é um dos principais reboteiros da liga, a parceria tem tudo para ser ainda mais vitoriosa do que a antiga dupla formada com DeAndre Jordan. Embora Jordan seja um defensor superior, Drummond se tornou um melhor passador e melhorou acentuadamente seu lance livre nesta temporada, com as melhores médias da carreira nos dois quesitos, além de possuir somente 24 anos.

A questão parece ser encontrar os coadjuvantes para colocar ao redor deles. O rookie Luke Kennard e Reggie Bullock são atualmente as únicas opções de Detroit nas alas, por exemplo. Reggie Jackson é a única opção confiável na armação, mas sofre com problemas de lesão. Faltam ativos para reforçar um elenco que pretender brigar na parte de cima. A boa notícia é que os Pistons podem tentar desenvolver esse ponto a longo prazo.

A má notícia é que podem correr sérios riscos financeiros nos próximos anos. Griffin vai completar 29 anos em março e vem com um histórico de lesão recheado, tendo jogado 80 jogos em uma temporada pela última vez em 2013-14. Ele tem contrato assinado até 2020-21 com um player option para 21-22. Estão apostando em sua saúde e sua química com Drummond, cujo acordo vai até 2020-21 (com um player option para essa temporada). Jackson também está assinado até 2019-20, e, sem realizar mais movimentos, é com isso que Detroit está trabalhando. O risco no curto prazo não deve ser tão alto, dado que Bradley é um agente livre na próxima janela, e quanto melhor o Pistons jogar, menos valor terá a pick deste ano para os Clippers.

 

Principal fator da troca, Blake Griffin foi pego de surpresa. Fonte: NBA

Esperar que Doc Rivers seja o responsável por lidar com uma verdadeira reconstrução na franquia talvez não seja o mais correto. Então considere este movimento como uma tentativa de tornar a franquia mais jovem, adicionar escolhas de draft, potencialmente criar espaço na folha salarial e derrubar o gigantesco contrato de Griffin, tudo de uma única vez.

Nenhum dos reforços chega para elevar o patamar do elenco, e até conhecermos os destinos de Jordan e Williams, será difícil avaliar completamente as decisões da franquia. Harris e Bradley serão úteis na rotação, com Tobias e Gallinari dando ao Clippers alguma versatilidade no setor ofensivo, por enquanto. Os pontos fortes de Bradley são exatamente o oposto do que Austin Rivers faz bem e, se conseguirem sua renovação, ele poderia formar um dos melhores backcourts defensivos da liga com Patrick Beverley.

A primeira escolha do Pistons provavelmente será enviada esta temporada (só é protegido entre escolhas 1-4) e os Clippers também adicionam uma de segunda rodada no próximo ano.

L.A. ainda deve ter o suficiente para continuar a brigar pela oitava vaga do Oeste se estiver nos planos, mas o que é mais importante, os Clippers provavelmente terão espaço significativo em 2019, quando os contratos de Harris e Marjanovic forem desfeitos. É notório que o proprietário Steve Ballmer está disposto a investir alto para vencer, e o time estará em posição de negociar para atrair agentes livres. Afinal, não há garantia de que os Lakers vão ser bons e ser a principal franquia da cidade mais badalada dos Estados Unidos é um ótimo chamariz. Dependendo qual caminho o Clippers escolher, eles poderiam se tornar um time ativo nesta próxima temporada.

O choque e a frustração da troca Griffin devem ser sentidos, mas também há de se elogiar a ousadia da franquia para reconhecer que atingiram seu teto. A partida de Chris Paul foi apenas o começo. Quem teria pensado que DeAndre Jordan seria o último dos três grandes? De qualquer forma, aceitar isso como uma brilhante decisão de começar de novo, parece ser o melhor caminho. Todos os olhos estão voltados no que eles vão fazer em seguida

 

O pivô mais caro da liga: uma análise que vai além das cifras

O que Al Horford representa vai além do que suas estatísticas demonstram?

POR Matheus Monteiro dia
O pivô mais caro da liga: uma análise que vai além das cifras
Imagem: Brian Babineau

Se você fosse perguntado qual pivô tem o maior salário da NBA hoje em dia, quem seria o seu palpite? André Drummond? Hassan Whiteside? DeMarcus Cousins? Curiosamente, a resposta certa seria Al Horford, com ganhos de 27 milhões de dólares por temporada.

Na offseason de 2016/2017, o dominicano acertou a sua transferência para o Boston Celtics por 113 milhões de dólares pagos ao longo de 4 anos. Obviamente esse valor está diretamente influenciado no fato do jogador celta ter sido um dos primeiros da posição a assinar um contrato após a expansão salarial, que lhe permitiu garantir um max deal superior aos outros. O que não deixa de chamar atenção pelas altas cifras pagas a um atleta contestado até pela sua torcida.

Contratado como um dos pilares da reconstrução da franquia, o pivô se mostrou como uma peça extremamente importante do sistema de jogo do técnico Brad Stevens. Inteligente, com bom passe e um arremesso qualificado para a posição, Horford poderia facilmente ser um ala-pivô nos dias de hoje, mas desempenha a função clássica da posição 5.

Embora não seja um reboteiro nato, compensa sua deficiência com o bom posicionamento e agilidade, sem contar sua experiência e liderança. Considerado como espelho para um jovem elenco, o veterano de 32 anos é fundamental para o desenvolvimento das futuras estrelas de Boston. Homem de confiança do treinador dentro de quadra, as batalhas vividas ao longo dos seus 10 anos de carreira na NBA o credenciam como um jogador que vai além das estatísticas. Um desafogo para Isaiah Thomas, e agora Kyrie Irving, Horford é a peça responsável por tirar a pressão de garotos como Jayson Tatum e Jaylen Brown, e prepará-los para os decisivos momentos que a franquia espera chegar. Sem dúvidas é um nome crucial para as aspirações do Celtics e sua chegada acelerou o rebuild tanto em termos técnicos, quanto em atrativo para outros atletas, aumentando a visibilidade de um elenco até então frágil e imaturo.

Mas talvez o ponto principal seja mostrar que Al Horford é um All-Star nesta temporada, embora suas estatísticas não o demonstrem.

Ele não precisa marcar 30 pontos em uma partida ou pegar 12 rebotes para fazer a diferença, e é isso que o torna tão bom. Brad Stevens renovou o jogo de Horford desde que assinou com os Celtics, e o veterano está aproveitando o momento. O camisa 42 tem médias de 13 pontos, sete rebotes e cinco assistências por jogo. Ele é um dos seis únicos jogadores que tem esse tipo de números, incluindo os titulares do All Star Game, Lebron James e DeMarcus Cousins, além de Russell Westbrook, que também foi deixado de lado. 

AH também está com aproveitamento acima de 50% nos arremessos de quadra e 43% do perímetro, números ótimos para um center atualmente. Só tenta uma média de 10 tiros por jogo, mas a forma como joga ajuda os jovens a ter um bom visual no momento ofensivo e permanecer ativo na defensiva.

Sendo a peça central da melhor equipe defensiva da liga, ajudou o Boston Celtics a se tornar um dos favoritos da Conferência Leste. Isso deveria ser bastante o suficiente para garantir melhores olhares sobre seu trabalho.

De candidato à loteria do Draft a uma força do Leste: a reconstrução do Miami Heat

Uma análise de como um time jovem vem causando tanto impacto na NBA

POR Matheus Monteiro dia
De candidato à loteria do Draft a uma força do Leste: a reconstrução do Miami Heat

De Wade e Shaq, passando pelo BIG 3 com Lebron James, nos acostumamos em ver a franquia Heat sempre presente na briga pelo título da NBA em um passado recente. Depois de passar por uma desmontagem no elenco e perder todos os seus principais pilares, imaginava-se que o time sofreria com o processo de reconstrução ao longo dos próximos anos.

Entretanto, após um início ruim na última temporada, Miami engatou uma sequência final de 30-11 e quase chegou aos playoffs. Pairando a dúvida sobre qual equipe iria se ver em 2017/2018, novamente o Heat começou o campeonato titubeante, apresentando uma campanha irregular, mesclando boas vitórias com duras derrotas para times inferiores, como Brooklyn Nets e Atlanta Hawks. Porém, mais uma vez, Goran Dragic e companhia entraram nos eixos na metade do calendário e hoje já somam oito triunfos nos últimos dez jogos disputados.

O impressionante retrospecto já garante ao Miami Heat a quarta melhor campanha da Conferência Leste no momento, liderando sua divisão a frente do badalado Washington Wizards, de John Wall. Sem um grande all-star, destaca-se o grande trabalho que vem sendo realizado pelo técnico Erik Spoelstra, o ponto principal para o sucesso da franquia até aqui.

Bicampeão na era Lebron, o jovem treinador está acostumado a sentir o gosto das vitórias. Bastante criticado pela torcida em alguns momentos, apostou em jovens jogadores e um estilo de jogo voltado para a defesa e coletividade, que acabou dando certo. Embora seja uma equipe que sofra para pontuar, com o quarto pior ataque da NBA no momento, a franquia da Flórida tem a quinta melhor defesa de toda a liga, cedendo apenas 101,8 pontos por jogo aos adversários.

Contratado na pré-temporada para reforçar o banco, Kelly Olynyk vem desempenhando ótimo papel no time. O ex-jogador do Celtics assinou um contrato de 50 milhões de dólares e vem justificando o investimento. O pivô vem com médias de quase 11 pontos e 6 rebotes na temporada, mas se destaca principalmente pela participação coletiva. Como um legítimo stretch-5, com a capacidade de jogar também na posição 4, a combinação única de tamanho, controle de bola e o tiro de perímetro proporcionam ao Heat um jogador diferenciado.

Outro destaque até o momento é o ala-armador Josh Richardson. Além das atuações consistentes no ataque durante toda a temporada, sua eficiência na parte defensiva tem sido crucial. Líder da equipe em roubos de bola, é um dos responsáveis pela forte defesa do perímetro, que limita os adversários a modestos números de aproveitamento nas bolas de três.

Considerando que as principais estrelas do Heat ainda não atingiram completamente seu auge esta temporada, isso faz com que esse ressurgimento recente, alimentado principalmente por role players, seja ainda mais impressionante.

Com Dion Waiters fora da temporada, Hassan Whiteside atuando apenas em 26 jogos e Goran Dragic muito inconstante, espera-se que essa equipe ainda tenha muito a crescer e evoluir. Vale a pena ficar de olho até onde o Miami Heat poderá chegar.

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