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Matheus Monteiro

Matheus Monteiro

Um completo viciado em basquete e NBA. Dono da página Air Ball Brasil e escritor da Boston Celtics Brasil, gosto de escrever textos polêmicos e que instiguem o leitor! Não deixe de seguir: @airballbrasil

Por que acreditar que Lebron James pode liderar o Cavs a mais um título da NBA?

O melhor jogador da atualidade terá um dos maiores desafios de sua carreira, mas ainda existe a possibilidade de alcançar o seu quarto título de campeão

POR Matheus Monteiro dia
Por que acreditar que Lebron James pode liderar o Cavs a mais um título da NBA?
Elise Amendola / AP Photo

Caso você tenha lido a prévia das finais da NBA que foi divulgada aqui no Sobe a Bola, deve ter notado que o autor que vos escreve foi o único a apostar suas fichas em um título do Cleveland Cavaliers. Bem, sejamos realistas, é quase uma utopia acreditar que o time do Golden State Warriors pode ser batido em uma série de 7 jogos, mas essa utopia pode se tornar um pouco mais real se você tem Lebron James na sua equipe. E é essa pequena esperança que vou tentar passar nos parágrafos a seguir.

Na noite de domingo, LeBron James estava jogando um jogo diferente do que todo mundo. Enquanto estava no auge, fez uma pausa e driblou, observando o relógio correr. Ele não entrou em pânico. Ele não vacilou. E com o tempo quase expirando, caminhou até a cesta superando outro jogador do Boston Celtics.

A coisa mais notável sobre a corrida mais notável do jogador mais notável de sua época é o quão fácil ele faz tudo parecer agora. O Cleveland Cavaliers deste ano pode muito bem ser o pior dos oito times que James levou para a final, faltando outro jogador de alto calibre para ser um parceiro legítimo. Lebron parece carregar o fardo de ter que levar o seu time as finais sozinho, e ainda assim ele consegue lidar com essa pressão.

Ele dominou o Celtics nos dois últimos jogos da final da Conferência do Leste da NBA, brincando com os jogadores jovens e destemidos de Boston, que impotentes, não tinham como detê-lo. No final, a vitória no jogo 7 por 87-79 no domingo pode ser o seu melhor momento - até mais do que o campeonato que ele finalmente trouxe aos Cavaliers em 2016 ou os dois títulos conquistados em Miami.

"Estou tentando espremer um pouco mais da laranja", disse ele em entrevista à ESPN logo após o jogo.

Engraçado. Parecia que não havia mais nada para arrancar. Tantas vezes nesta temporada - a que supostamente é a sua última em Cleveland - a equipe parecia condenada. As trocas no último dia da janela trouxeram jogadores bons o suficiente para levar o Cavs para a pós-temporada, mas dificilmente pareciam ser do tipo que os levaria a outra final. O Cavaliers parecia eliminado no primeiro round contra o Indiana e lutou no início da final da conferência contra o Boston.

Mas a cada vez, James assumiu, segurando a bola, esperando a menor janela se abrir, um caminho para a cesta que de repente parecia ter 30 metros de largura enquanto ele avançava ferozmente.

Ele teve 35 pontos, 15 rebotes e nove assistências no jogo 7 e parecia inferior aos 46 pontos, 11 rebotes e nove assistências no jogo 6. Não importa que a partida decisiva tenha sido uma luta mais dura e complicada do que a anterior (que foi brutal em si). James tinha a bola durante a maior parte da noite, você acha que ele marcou 55 ou 60.

Estas últimas semanas são provavelmente a mais impressionante da carreira de Lebron, ainda melhor do que o primeiro título em 2016. Naquela época, ele tinha Kyrie Irving para ajudá-lo. Esse time não tem um Irving. Tudo nestes últimos dois meses veio do próprio James. Os Pacers foram finalmente derrotados no primeiro round e os Raptors superados no segundo. Mas o técnico do Boston, Brad Stevens, tinha um plano: ele fez seus jogadores tentarem pará-lo, derrubá-lo perto da cesta, dobrar a marcação algumas vezes, fazendo tudo que podia para deixá-lo desconfortável. Por um tempo, o plano funcionou. Em última análise, isso não aconteceu.

"Nós tentamos fazer com que ele exercesse tanta energia quanto humanamente possível", disse Stevens em sua entrevista coletiva pós-jogo. "Mas ele ainda marcou 35. É incrível"

Algo atingiu Stevens quando ele se sentou no palanque da entrevista, tentando entender o que James tinha acabado de fazer com o Celtics. A temporada é tão difícil, disse Stevens, uma longa e traiçoeira perseguição desde o primeiro treino no outono até o final dos playoffs no final da primavera. Fazer as finais uma vez leva uma imensa quantidade de foco a cada dia. Lebron James fez isso oito vezes.

Quem sabe o que vai acontecer nas próximas semanas? Golden State será definitivamente a equipe mais sólida que Cleveland encontrou até agora. Tudo aponta para um rumo negativo nas finais, mas como se pode duvidar de um jogador que, sozinho, tem mais finais no currículo do que 26 franquias da NBA? O legado de James em Cleveland não pode ser resumido apenas a um título e um punhado de batidas na trave. As apostas são que ele está jogando seus últimos jogos em seu estado natal, que com a free agency acenando, ele irá perseguir um título em Filadélfia ou San Antonio, ou ajudar a reconstruir o Los Angeles Lakers.

O pensamento sempre foi que o campeonato, dois anos atrás, o absolveu de qualquer dívida com Cleveland, que ele poderia sair em paz sabendo que ele dera à cidade o seu melhor. Mas esses playoffs podem ter criado uma última grande lembrança: o ano em que ele colocou o time nas costas e os levou para as finais.

Se este é o fim da era James em Cleveland, que belo final tem sido.

Conheça a trajetória de Brad Stevens, principal favorito ao prêmio de técnico do ano na NBA

Jovem treinador de 41 anos vem comandando o promissor elenco celta a sua segunda final de conferência consecutiva

POR Matheus Monteiro dia
Conheça a trajetória de Brad Stevens, principal favorito ao prêmio de técnico do ano na NBA

Quando os finalistas ao prêmio de melhor técnico da temporada foram anunciados, era um consenso que o nome de Brad Stevens deveria estar entre os três indicados. Principal responsável por transformar o Boston Celtics em uma equipe candidata ao título da NBA, o treinador vem experimentando o sabor do sucesso em uma ascensão impressionante.

Iniciando sua carreira como voluntário na Butler University, tornou-se um dos técnicos mais badalados da atualidade e nome indicado para reconstruir a franquia mais vitoriosa da liga ao longo de um complicado processo.

Através um estilo de jogo rápido, com um ataque flutuante e muita movimentação, ao lado de uma defesa sólida, o Celtics saiu do patamar de candidato a loteria do draft para se tornar uma das melhores equipes da NBA.

O que poucos sabem, no entanto, é como um ex-assistente universitário, ganhando U$ 18 mil por ano, trilhou sua trajetória para virar um dos melhores treinadores profissionais do presente.

Conheça a trajetória de Brad Stevens, principal favorito ao prêmio de técnico do ano na NBABrad Stevens é um dos candidatos ao prêmio de Coach of the Year

Stevens era um astro do basquete no ensino médio em Indiana, mas não conseguiu manter o status de estrela na faculdade. Teve média de apenas cinco pontos por jogo em seu último ano, lutando para aceitar um papel vindo do banco.

Quando se formou, aceitou um emprego bem remunerado em uma grande empresa farmacêutica, mas, no entanto, ficou chateado por deixar o basquete. Em busca de seu grande sonho, treinou um acampamento de verão em Butler depois de se formar e, em seguida, aceitou uma oferta para se tornar um assistente voluntário para o time de basquete masculino, o Butler Bulldogs, em 2000.

Stevens assumiu um emprego na Applebee's, rede americana de restaurantes, para ganhar dinheiro enquanto se voluntariava. Contudo, no dia anterior ao treinamento, foi promovido a diretor de operações de basquete porque um dos assistentes técnicos foi preso por se envolver com uma prostituta (as acusações foram retiradas mais tarde).

Ganhando apenas U$ 18 mil por ano, gastava cerca de 14 horas por dia registrando imagens de tendências defensivas de sua equipe e seus adversários. Mesmo assim, ainda brincou dizendo: "um dos anos mais agradáveis que eu já tive".

Conheça a trajetória de Brad Stevens, principal favorito ao prêmio de técnico do ano na NBABrad Stevens e Gordon Hayward atuando juntos por Butler

Em 2007, Stevens foi promovido a treinador de Butler depois do treinador anterior, Todd Lickliter sair para treinar a Universidade de Iowa. Em sua primeira temporada como treinador principal, Butler foi 30-4.

Durante a temporada 2009-10, Butler acumulou 33 vitórias e apenas 5 derrotas, tendo uma campanha impressionante até as finais da NCAA, onde perderam para Duke por 61-59. Na temporada seguinte, Stevens e Butler foram 28-10 e novamente chegaram as finais, desta vez saindo derrotados por Connecticut.

O técnico esteve mais dois anos à frente da universidade, acumulando um retrospecto de 49-26, mesmo com várias escolas tentando o tirar de Indiana ao longo do caminho. A UCLA chegou a lhe oferecer mais de U$ 3 milhões por ano, mas Stevens se manteve com os Bulldogs, onde ganhava cerca de U$ 750 mil anuais.

No entanto, no verão de 2013 o treinador resolveu que estava na hora de buscar novos desafios. O Boston Celtics fez uma oferta de U$ 22 milhões por seis anos de contrato que não tinha como ser recusada. A sensação do basquete universitário começava a dar os seus primeiros passos na maior liga profissional do mundo.

Depois de negociar suas principais estrelas, Stevens dava início a reconstrução da franquia e terminou sua primeira temporada com uma campanha de 25-57. O cenário que parecia ser árduo mudou completamente de status quando Boston trouxe Isaiah Thomas na deadline em 2014.

Em 2016-17, com Thomas liderando o caminho, o Celtics terminou em 1º na Conferência Leste com um recorde de 53-29. De forma surpreendente, fizeram as finais da Conferência Leste contra o Cleveland Cavaliers. Entretanto, com a lesão do baixinho, foram presa fácil para Lebron James e companhia, que terminaram o sonho celta com um 4-1 na série. O sucesso do Celtics, mesmo sem estrelas, tem sido frequentemente creditado ao treinamento de Stevens.

Conheça a trajetória de Brad Stevens, principal favorito ao prêmio de técnico do ano na NBAIsaiah Thomas teve seu melhor momento na carreira sob o comando de Stevens

Também nessa temporada, o técnico celta foi o responsável por comandar o time da Conferência Leste no All-Star Game, onde pôde trabalhar com as principais estrelas da liga e ser reconhecido por sua excelente campanha em Boston.

Depois de treinar uma equipe de jogadores desacreditados, Brad Stevens ganhou reforços de peso este ano, quando a equipe contratou Gordon Hayward na free agency e envolveu Isaiah Thomas em uma troca por Kyrie Irving.

Infelizmente para Boston, Hayward se machucou no primeiro jogo da temporada, deixando o time sem sua estrela para o restante da competição. Isso não impediu o Celtics, no entanto. Atrás de Irving, Al Horford, e os jovens Jaylen Brown e Jayson Tatum, o time alcançou 55 vitórias, a melhor marca do treinador na NBA, terminando em segundo no Leste.

Stevens mais uma vez provou o seu valor nos playoffs. Com Irving afastado devido a uma lesão no joelho, novamente levou um grupo de promessas a outro nível, derrubando fortes adversários no caminho para reencontrar o Cavs em mais uma final de conferência.

Stevens possui um recorde de 221-189 na temporada regular e 21-22 nos playoffs. Ambos são impressionantes, considerando os elencos e lesões que o treinador teve que trabalhar.

O Boston Celtics tem um dos futuros mais brilhantes da NBA. Eles estão no meio de uma pós-temporada sem suas principais estrelas e um plantel ainda muito jovem. Somando a quantidade de talento da equipe e a genialidade de seu treinador, os torcedores que essa união possa formar uma vitoriosa dinastia celta.

As principais surpresas dos playoffs: quem pode ser o azarão da temporada?

Chegou a época mais importante da temporada e os grandes times querem confirmar o seu favoritismo, mas será que teremos espaço para surpresas?

POR Matheus Monteiro dia
As principais surpresas dos playoffs: quem pode ser o azarão da temporada?
Comandados por Ben Simmons, o Sixers surge como uma das grandes surpresas da temporada. Foto: NBA

A pós temporada da NBA começou no último final de semana e todas as franquias voltam suas atenções para o momento mais decisivo do campeonato. Passados 82 jogos da fase regular, o espaço para surpresas parece ficar cada vez menor, mas alguns times que são considerados azarões pela imprensa e torcedores podem surpreender na busca pelo título.

Philadelphia 76ers

O Philadelphia 76ers é a grande sensação da temporada e não pode ser considerado uma surpresa se levarmos em consideração a campanha que a equipe vem tendo até o momento. 17 jogos de invencibilidade, terceira colocação na conferência e um plantel recheado de jovens talentos.

Dono do quinto melhor desempenho da NBA e muito difícil de ser batido em casa, o time de Philadelphia é o melhor em rebotes na liga e o segundo em assistências, além de ter o sétimo melhor ataque da competição.

Mesmo com o desfalque de Joel Embiid nos primeiros dois jogos dos playoffs, Philadelphia ainda é considerado favorito a avançar na série contra o Miami Heat. Liderados por Ben Simmons, principal candidato ao prêmio de calouro do ano, o processo de reconstrução da franquia definitivamente parece ter ficado para trás.

As principais surpresas dos playoffs: quem pode ser o azarão da temporada?
Ben Simmons flertou com o triple-double no primeiro confronto contra o Miami Heat

Simmons é um dos grandes expoentes desse poderoso ataque, com direito a 12 triple-doubles na temporada. Inclusive, flertou com a marca no primeiro confronto no último sábado, com 17 pontos, 9 rebotes, 14 assistências e 2 roubos de bola. Se conseguisse o feito, se igualaria a LeBron James e Magic Johnson, dois dos três jogadores que conseguiram triplos-duplos em estreia em playoffs na carreira. Há muito não se via um novato causar tanto impacto.

Além dos dois jovens astros, nomes como Dario Saric e JJ Redick reforçam a rotação titular e tornam o time letal também do perímetro. O ala armador foi o cestinha do jogo 1 com 28 pontos e vive ótima fase. No banco de reservas, o principal destaque é a jovem promessa Markelle Fultz, mas foram os veteranos Marco Bellineli e Ersan Ilyasova quem roubaram a cena na estreia do Sixers. O italiano anotou 25 pontos e o ala-pivô turco contribuiu com 17 pontos e 14 rebotes, além de ser o responsável por espaçar a quadra no ataque e anular o garrafão do adversário na defesa. Com um plantel bastante recheado e diversificado, o técnico Brett Brown tem todas as ferramentas para chegar longe na pós-temporada.

New Orleans Pelicans

O Pelicans não ganhava nos playoffs desde 2011, e por isso a vitória fora de casa contra o Portland Trail Blazers tenha sido a mais surpreendente entre todos os confrontos, prometendo uma das séries mais equilibradas da primeira rodada.

Desde a lesão do pivô DeMarcus Cousins, o time de New Orleans teve uma campanha de 21 vitórias e 13 derrotas, com Anthony Davis sendo totalmente dominante (25.7 pontos, 11.9 rebotes, 2 roubos de bola e 3.15 tocos) - o ala pivô foi eleito o melhor jogador da Conferência Leste nos meses de Fevereiro e Março.

As principais surpresas dos playoffs: quem pode ser o azarão da temporada?
Anthony Davis em ação contra o Portland pelos playoffs no último sábado

O Monocelha teve uma das maiores atuações individuais nos jogos de playoffs até aqui, anotando 35 pontos, 14 rebotes e 4 tocos, dominando por completo o duelo na área pintada e levando ampla vantagem sobre Jusuf Nurkic, pivô do Blazers. Além de Davis, Jrue Holiday e Nikola Mirotic são os dois escapes ofensivos do time e estão em ótima fase. O croata, inclusive, anotou um double-double e foi muito importante nos dois lados da quadra. Rajon Rondo parece ter encontrado a velha forma e é um dos passadores mais sólidos do momento. Quarto na temporada com 8.2 assistências na fase regular, Rondo é o grande pensador e organizador da equipe e o responsável por explorar todos os recursos do time sem sobrecarregar Davis. No primeiro jogo em Portland foram 17 assistências para o experiente armador.

O banco é o que deixa a desejar e pode ser crucial para o destino da franquia. Com a ausência de um sexto homem confiável e coadjuvantes para dar suporte ao time, faltam opções para o técnico Alvin Gentry mudar o cenário de uma partida ou simplesmente descansar suas principais estrelas.

Não podemos desconsiderar todo o trabalho de uma equipe que está invicta há seis jogos e conseguiu realizar uma campanha sólida, até certo ponto. Com um all-star do calibre de Anthony Davis e a motivação de jogar em memória ao ex-dono, Tom Benson, que faleceu no último mês de março, a franquia Pelicans pode pintar como a grande surpresa dos playoffs.

Terry Rozier e a definição de custo-benefício

Armador reserva aparece como um dos grandes destaques do Boston Celtics na reta final de temporada

POR Matheus Monteiro dia
Terry Rozier e a definição de custo-benefício
Terry Rozier desponta como grande surpresa do elenco celta // Foto: Brian Babineau

Na ausência de Marcus Smart e Kyrie Irving, principal nome do Celtics, o técnico Brad Stevens precisou utilizar Terry Rozier como titular e o jovem não decepcionou.

Em sua primeira partida como titular, mostrou confiança, marcou um triple-double e liderou a vitória do time contra o New York Knicks. Ele é um dos seis jogadores que mantém médias de pelo menos 19 pontos, 6 rebotes e 5 assistências quando são titulares de suas equipes.

Ao lado de nomes como LeBron James e Russell Westbrook, o camisa 12 surpreende por ser o único a receber menos de 10 milhões de dólares. Na verdade, o jogador ainda está em seu contrato de calouro e recebe "apenas" 1.8 milhões de dólares por temporada.

Somado à grande produção de Marcus Morris e Jayson Tatum, o armador vem carregando Boston a uma sequência de seis vitórias consecutivas, e mesmo restando apenas algumas partidas para o final da temporada regular, o elenco celta ainda sonha em alcançar o Toronto Raptors na liderança da Conferência Leste, mesmo sofrendo com diversas baixas por lesão.

Com o elenco completo e saudável, Rozier pode ser uma peça fundamental vindo do banco em um dos playoffs que prometem ser dos mais disputados dos últimos anos.

Mais uma vez, o Boston Celtics vem mostrando sua enorme capacidade de escolher jovens promessas e de lapidar seu talento de olho no futuro.

As melhores cinco trocas da NBA: quais deram mais resultado na temporada?

É preciso ousadia e um pouco de sorte para realizar as melhores transações. Quem foi mais feliz e acertou na temporada?

POR Matheus Monteiro dia
As melhores cinco trocas da NBA: quais deram mais resultado na temporada?

Entrando na reta final da temporada regular, algumas franquias já começam a traçar o seu planejamento para o próximo ano em busca de times mais competitivos e possibilidade de disputar os play-offs.

No caminho inverso, outras apostaram suas fichas e já começam a colher os frutos dos bons negócios. Por isso, listamos abaixo as cinco melhores transações realizadas até o momento.

Antes de começar, vale a pena destacar duas trades realizadas na noite do draft e que deram muito certo até aqui.

Jazz aposta e garante candidato ao prêmio de melhor calouro

Foto: Getty Image

O Utah Jazz fez uma campanha sólida na temporada 2016/2017, mas sofreu com o desmanche do atual elenco. Com as iminentes saídas de George Hill e Gordon Hayward, a franquia precisou apostar e na noite do draft trocou Trey Lyles e a sua pick n° 24 com o Denver Nuggets em troca da pick n°13. Com a escolha, selecionaram Donovan Mitchell, ala-armador da Universidade de Louisville. O camisa 45 não sentiu a pressão e é hoje um dos principais jogadores da equipe, ao lado de Rudy Gobert. Tem médias de 19,8 pontos, 3,6 rebotes e 3,5 assistências em quase 33 minutos de jogo. Além disso, tem aproveitamento de 44% nos arremessos de quadra, com 35% de conversão na bola de 3 e 84% nos lances livres.

Em 1 de dezembro de 2017, ele marcou 41 pontos em uma vitória por 114–108 sobre o New Orleans Pelicans e estabeleceu o recorde de pontuação feito por um novato do Utah Jazz, tornando-se o primeiro rookie da NBA a marcar 40 pontos em um jogo desde Blake Griffin em 2011.

Quem disse que não se troca primeira escolha de draft?

Antes do draft era quase uma unanimidade que Markelle Fultz seria eleito na primeira escolha geral. O freshman da Universidade de Washington vinha de ótima temporada no college e, por possuir a first pick, o Boston Celtics parecia ser o destino mais provável para o armador. Entretanto, em mais uma jogada protagonizada por Danny Ainge, os celtas aceitaram negociar com o Philadelphia 76ers em troca da terceira escolha do draft e uma pick de primeira rodada em 2018 via Lakers. Fultz, então, foi parar no time de Ben Simmons e Joel Embiid e o Celtics selecionou Jayson Tatum como novo rookie.

Foto: Getty Image

O que não se esperava era que o badalado calouro do Sixers iria sofrer com uma lesão no ombro, que o afastou de boa parte da temporada e comprometeu seu desempenho em quadra. Do outro lado, com a lesão de Hayward, Tatum viu seus minutos aumentarem e não decepcionou. Soma até aqui médias de quase 14 pontos e 5 rebotes em 30 minutos jogados, sendo um dos grandes destaques do segundo colocado da Conferência Leste.

5 – A inesperada troca de Blake Griffin para Detroit

A inesperada troca de Blake Griffin para o Detroit Pistons movimentou a NBA. O Los Angeles Clippers enviou sua principal estrela e, em retorno, recebeu Tobias Harris, Avery Bradley e Boban Marjanovic, além de duas escolhas de draft (uma de 1ª rodada e outra de 2ª).

A trade ainda é muito recente e não permite uma análise mais profunda, então considere este movimento como uma tentativa de tornar a franquia mais jovem, adicionar escolhas de draft, criar espaço na folha salarial e derrubar o gigantesco contrato de Griffin, tudo de uma única vez, mas sem abrir mão de disputar a vaga aos playoffs nessa temporada.

Foto: NBA

Para o Pistons, a chegada de um jogador do calibre de Blake Griffin sinaliza a intenção da franquia em retomar o protagonismo na liga. Ao lado de Andre Drummond, certamente formarão uma das duplas mais completas e perigosas de garrafão. Resta saber se Detroit irá conseguir reunir bons coadjuvantes ao redor dos dois e manter as finanças em dia, para que não sofra com um rebuild no futuro.

4 – Jimmy Butler e a esperança de voltar a pós-temporada

Foto: Getty Image

O Minnesota Timberwolves detém um dos piores recordes da NBA atualmente: são 13 anos sem chegar aos playoffs. Mas graças a uma negociação com o Chicago Bulls na noite do draft, essa escrita está próxima de se encerrar. Abrindo mão de jovens promessas como Zach LaVine e Kris Dunn, além da sétima escolha de 2017, os Wolves trouxeram o all-star Jimmy Butler para liderar a franquia e ser o mentor de Andrew Wiggins e Karl-Anthony Towns. Na sexta posição da Conferência Oeste, o trio pode sonhar até mais longe e, quem sabe, almejar o título da temporada. Caso consiga reforçar o banco com nomes mais confiáveis, Minnesota será um forte concorrente na liga nos próximos anos.

Para os Bulls, a escolha no draft resultou em Lauri Markkanen, principal jogador do time no ano, confirmando as expectativas que carregava após boas atuações pela Finlândia no EuroBasket. Dunn também vinha com boas atuações e melhores médias da carreira em pontos, rebotes e assistências, mas ficou afastado das quadras por quase um mês após sofrer uma concussão. LaVine precisou de alguns meses para retornar as quadras depois de uma grave lesão no joelho. Estreando apenas em janeiro, atuou somente em 19 oportunidades, mas consegue manter uma boa média de 16 pontos por jogo. Quando esteve em quadra por mais de 30 minutos, essa média passa dos 20 pontos. Com um plantel repleto de jovens estrelas, o Bulls parece estar acertando até aqui e realiza um bom trabalho de reconstrução.

3 – Thunder e Pacers na troca que foi boa para os dois lados

Foto: Fair Play

Quando a troca entre Pacers e Thunder foi concluída, muitos afirmaram que Indiana havia perdido sua principal estrela por quase nada em troca. OKC enviou Victor Oladipo e Domantas Sabonis e recebeu o astro Paul George. Insatisfeito com a falta de talentos na franquia do Leste, PG forçou sua saída e foi atuar ao lado de Westbrook após um forte período de especulações. Depois de um início conturbado e com atuações decepcionantes do time como um todo, Oklahoma conseguiu definir os papéis de seus principais jogadores e o nível de jogo de Paul George disparou. Decisivo, é o segundo homem da franquia e um dos jogadores eleitos para o All-Star Game. Além disso, é o terceiro com mais bolas de 3 pontos convertidas na liga, com 200 arremessos certos, e o segundo jogador que mais rouba bolas na liga, com médias de 2.1 steals.

Curiosamente, o líder no quesito é Oladipo, com 2.2 roubos por partida. Além de participar do campeonato de enterradas, o armador foi um dos reservas do All-Star Game pelo “Team Lebron”.

Em 4° lugar no Leste, mas apenas um jogo atrás do Cavs na terceira posição, a troca foi fundamental para o rejuvenescimento da franquia. Após uma temporada ruim com OKC, Sabonis e Oladipo reencontraram o bom basquete e viraram os líderes da equipe. Ao lado de Myles Turner e Darren Collison, o Pacers formou um conjunto que é muito difícil de ser batido dentro de casa, mas sofre com a inexperiência e a falta de um conjunto mais qualificado.

2 – Boston Celtics em mais uma troca fora de série

Foto: News Week

Inúmeras fontes na imprensa americana noticiaram o desejo de Kyrie Irving em sair do Cleveland Cavaliers e ser o principal protagonista de uma grande franquia. E em mais uma troca ousada arquitetada por Danny Ainge, o Boston Celtics adquiriu o armador em troca de Isaiah Thomas, Jae Crowder, Ante Žižić, a escolha de primeira rodada do Brooklyn em 2018 e uma escolha de segunda rodada em 2020.

Recheado de polêmica por todos os lados, a troca foi a mais discutida ao longo da pré-temporada, principalmente pelo fato do Celtics negociar a sua grande estrela após boa atuação nos playoffs, mesmo com a tragédia envolvendo a morte da irmã de Isaiah, Chyna Thomas.

Dentro de quadra, Irving mostrou porque é um dos mais habilidosos da liga. Com um repleto arsenal de jogadas, comanda o time celta e é o principal pontuador do elenco. Chegou a liderar uma sequência de 16 vitórias consecutivas, mas ainda sofre com as oscilações do jovem elenco.

Mesmo perdendo a primeira colocação da Conferência Leste para o Toronto Raptors, Boston ainda é considerado o favorito a enfrentar os Cavs na final dos playoffs.

Cleveland parece ter perdido mais do que se imaginava com a saída de seu antigo camisa 2. Os novos jogadores não encaixaram e o time de Lebron James sofria com uma completa desorganização de jogo, principalmente no setor defensivo. No último dia da janela de transferências, a diretoria negociou seis jogadores, incluindo Thomas e Crowder, e trouxe novos coadjuvantes para reforçar o elenco e resgatar a busca pelo título da NBA.

Na balança final, o Cavaliers trocou um dos ídolos da conquista de seu único campeonato por jovens promessas que até hoje não emplacaram. Só o tempo dirá quem saiu melhor.

1 – Chris Paul e James Harden liderando o melhor time da NBA

Foto: NBA

Esta parece ser de longe a melhor troca de toda a temporada. Chris Paul chegou à Houston em troca SETE jogadores, entre eles Lou Williams e Patrick Beverley, além de uma escolha de primeira rodada e considerações em dinheiro.

Quando concretizada, os especialistas se perguntavam como o técnico Mike D’Antoni iria fazer CP3 se encaixar ao estilo de jogo do Rockets sem tirar o volume de jogo de James Harden. Entretanto, o que se vê é uma completa sintonia entre os dois superastros.

Enquanto o Barba caminha para se tornar o MVP da temporada, Chris Paul trouxe o equilíbrio e a experiência que faltavam ao time. Adicionando suas médias de 18 pontos e 8 assistências, além de sua consistência defensiva, Houston conseguiu elevar o seu patamar de jogo e hoje mantém uma impressionante sequência de 16 vitórias seguidas, que lhe garantem o melhor retrospecto da NBA.

Principal obstáculo para o Golden State Warriors no lado Oeste, o Rockets conta inclusive com uma vantagem nos confrontos diretos nesse ano. Nos três jogos entre as equipes, são duas vitórias para Harden e companhia, saindo vencedores até na casa do adversário. Com o nível de atuação das duas franquias, será impossível cravar um favorito nesse possível duelo de playoffs.

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