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Matheus Monteiro

Matheus Monteiro

Um completo viciado em basquete e NBA. Dono da página Air Ball Brasil e escritor da Boston Celtics Brasil, gosto de escrever textos polêmicos e que instiguem o leitor! Não deixe de seguir: @airballbrasil

As principais surpresas dos playoffs: quem pode ser o azarão da temporada?

Chegou a época mais importante da temporada e os grandes times querem confirmar o seu favoritismo, mas será que teremos espaço para surpresas?

POR Matheus Monteiro dia
As principais surpresas dos playoffs: quem pode ser o azarão da temporada?
Comandados por Ben Simmons, o Sixers surge como uma das grandes surpresas da temporada. Foto: NBA

A pós temporada da NBA começou no último final de semana e todas as franquias voltam suas atenções para o momento mais decisivo do campeonato. Passados 82 jogos da fase regular, o espaço para surpresas parece ficar cada vez menor, mas alguns times que são considerados azarões pela imprensa e torcedores podem surpreender na busca pelo título.

Philadelphia 76ers

O Philadelphia 76ers é a grande sensação da temporada e não pode ser considerado uma surpresa se levarmos em consideração a campanha que a equipe vem tendo até o momento. 17 jogos de invencibilidade, terceira colocação na conferência e um plantel recheado de jovens talentos.

Dono do quinto melhor desempenho da NBA e muito difícil de ser batido em casa, o time de Philadelphia é o melhor em rebotes na liga e o segundo em assistências, além de ter o sétimo melhor ataque da competição.

Mesmo com o desfalque de Joel Embiid nos primeiros dois jogos dos playoffs, Philadelphia ainda é considerado favorito a avançar na série contra o Miami Heat. Liderados por Ben Simmons, principal candidato ao prêmio de calouro do ano, o processo de reconstrução da franquia definitivamente parece ter ficado para trás.

As principais surpresas dos playoffs: quem pode ser o azarão da temporada?
Ben Simmons flertou com o triple-double no primeiro confronto contra o Miami Heat

Simmons é um dos grandes expoentes desse poderoso ataque, com direito a 12 triple-doubles na temporada. Inclusive, flertou com a marca no primeiro confronto no último sábado, com 17 pontos, 9 rebotes, 14 assistências e 2 roubos de bola. Se conseguisse o feito, se igualaria a LeBron James e Magic Johnson, dois dos três jogadores que conseguiram triplos-duplos em estreia em playoffs na carreira. Há muito não se via um novato causar tanto impacto.

Além dos dois jovens astros, nomes como Dario Saric e JJ Redick reforçam a rotação titular e tornam o time letal também do perímetro. O ala armador foi o cestinha do jogo 1 com 28 pontos e vive ótima fase. No banco de reservas, o principal destaque é a jovem promessa Markelle Fultz, mas foram os veteranos Marco Bellineli e Ersan Ilyasova quem roubaram a cena na estreia do Sixers. O italiano anotou 25 pontos e o ala-pivô turco contribuiu com 17 pontos e 14 rebotes, além de ser o responsável por espaçar a quadra no ataque e anular o garrafão do adversário na defesa. Com um plantel bastante recheado e diversificado, o técnico Brett Brown tem todas as ferramentas para chegar longe na pós-temporada.

New Orleans Pelicans

O Pelicans não ganhava nos playoffs desde 2011, e por isso a vitória fora de casa contra o Portland Trail Blazers tenha sido a mais surpreendente entre todos os confrontos, prometendo uma das séries mais equilibradas da primeira rodada.

Desde a lesão do pivô DeMarcus Cousins, o time de New Orleans teve uma campanha de 21 vitórias e 13 derrotas, com Anthony Davis sendo totalmente dominante (25.7 pontos, 11.9 rebotes, 2 roubos de bola e 3.15 tocos) - o ala pivô foi eleito o melhor jogador da Conferência Leste nos meses de Fevereiro e Março.

As principais surpresas dos playoffs: quem pode ser o azarão da temporada?
Anthony Davis em ação contra o Portland pelos playoffs no último sábado

O Monocelha teve uma das maiores atuações individuais nos jogos de playoffs até aqui, anotando 35 pontos, 14 rebotes e 4 tocos, dominando por completo o duelo na área pintada e levando ampla vantagem sobre Jusuf Nurkic, pivô do Blazers. Além de Davis, Jrue Holiday e Nikola Mirotic são os dois escapes ofensivos do time e estão em ótima fase. O croata, inclusive, anotou um double-double e foi muito importante nos dois lados da quadra. Rajon Rondo parece ter encontrado a velha forma e é um dos passadores mais sólidos do momento. Quarto na temporada com 8.2 assistências na fase regular, Rondo é o grande pensador e organizador da equipe e o responsável por explorar todos os recursos do time sem sobrecarregar Davis. No primeiro jogo em Portland foram 17 assistências para o experiente armador.

O banco é o que deixa a desejar e pode ser crucial para o destino da franquia. Com a ausência de um sexto homem confiável e coadjuvantes para dar suporte ao time, faltam opções para o técnico Alvin Gentry mudar o cenário de uma partida ou simplesmente descansar suas principais estrelas.

Não podemos desconsiderar todo o trabalho de uma equipe que está invicta há seis jogos e conseguiu realizar uma campanha sólida, até certo ponto. Com um all-star do calibre de Anthony Davis e a motivação de jogar em memória ao ex-dono, Tom Benson, que faleceu no último mês de março, a franquia Pelicans pode pintar como a grande surpresa dos playoffs.

Terry Rozier e a definição de custo-benefício

Armador reserva aparece como um dos grandes destaques do Boston Celtics na reta final de temporada

POR Matheus Monteiro dia
Terry Rozier e a definição de custo-benefício
Terry Rozier desponta como grande surpresa do elenco celta // Foto: Brian Babineau

Na ausência de Marcus Smart e Kyrie Irving, principal nome do Celtics, o técnico Brad Stevens precisou utilizar Terry Rozier como titular e o jovem não decepcionou.

Em sua primeira partida como titular, mostrou confiança, marcou um triple-double e liderou a vitória do time contra o New York Knicks. Ele é um dos seis jogadores que mantém médias de pelo menos 19 pontos, 6 rebotes e 5 assistências quando são titulares de suas equipes.

Ao lado de nomes como LeBron James e Russell Westbrook, o camisa 12 surpreende por ser o único a receber menos de 10 milhões de dólares. Na verdade, o jogador ainda está em seu contrato de calouro e recebe "apenas" 1.8 milhões de dólares por temporada.

Somado à grande produção de Marcus Morris e Jayson Tatum, o armador vem carregando Boston a uma sequência de seis vitórias consecutivas, e mesmo restando apenas algumas partidas para o final da temporada regular, o elenco celta ainda sonha em alcançar o Toronto Raptors na liderança da Conferência Leste, mesmo sofrendo com diversas baixas por lesão.

Com o elenco completo e saudável, Rozier pode ser uma peça fundamental vindo do banco em um dos playoffs que prometem ser dos mais disputados dos últimos anos.

Mais uma vez, o Boston Celtics vem mostrando sua enorme capacidade de escolher jovens promessas e de lapidar seu talento de olho no futuro.

As melhores cinco trocas da NBA: quais deram mais resultado na temporada?

É preciso ousadia e um pouco de sorte para realizar as melhores transações. Quem foi mais feliz e acertou na temporada?

POR Matheus Monteiro dia
As melhores cinco trocas da NBA: quais deram mais resultado na temporada?

Entrando na reta final da temporada regular, algumas franquias já começam a traçar o seu planejamento para o próximo ano em busca de times mais competitivos e possibilidade de disputar os play-offs.

No caminho inverso, outras apostaram suas fichas e já começam a colher os frutos dos bons negócios. Por isso, listamos abaixo as cinco melhores transações realizadas até o momento.

Antes de começar, vale a pena destacar duas trades realizadas na noite do draft e que deram muito certo até aqui.

Jazz aposta e garante candidato ao prêmio de melhor calouro

Foto: Getty Image

O Utah Jazz fez uma campanha sólida na temporada 2016/2017, mas sofreu com o desmanche do atual elenco. Com as iminentes saídas de George Hill e Gordon Hayward, a franquia precisou apostar e na noite do draft trocou Trey Lyles e a sua pick n° 24 com o Denver Nuggets em troca da pick n°13. Com a escolha, selecionaram Donovan Mitchell, ala-armador da Universidade de Louisville. O camisa 45 não sentiu a pressão e é hoje um dos principais jogadores da equipe, ao lado de Rudy Gobert. Tem médias de 19,8 pontos, 3,6 rebotes e 3,5 assistências em quase 33 minutos de jogo. Além disso, tem aproveitamento de 44% nos arremessos de quadra, com 35% de conversão na bola de 3 e 84% nos lances livres.

Em 1 de dezembro de 2017, ele marcou 41 pontos em uma vitória por 114–108 sobre o New Orleans Pelicans e estabeleceu o recorde de pontuação feito por um novato do Utah Jazz, tornando-se o primeiro rookie da NBA a marcar 40 pontos em um jogo desde Blake Griffin em 2011.

Quem disse que não se troca primeira escolha de draft?

Antes do draft era quase uma unanimidade que Markelle Fultz seria eleito na primeira escolha geral. O freshman da Universidade de Washington vinha de ótima temporada no college e, por possuir a first pick, o Boston Celtics parecia ser o destino mais provável para o armador. Entretanto, em mais uma jogada protagonizada por Danny Ainge, os celtas aceitaram negociar com o Philadelphia 76ers em troca da terceira escolha do draft e uma pick de primeira rodada em 2018 via Lakers. Fultz, então, foi parar no time de Ben Simmons e Joel Embiid e o Celtics selecionou Jayson Tatum como novo rookie.

Foto: Getty Image

O que não se esperava era que o badalado calouro do Sixers iria sofrer com uma lesão no ombro, que o afastou de boa parte da temporada e comprometeu seu desempenho em quadra. Do outro lado, com a lesão de Hayward, Tatum viu seus minutos aumentarem e não decepcionou. Soma até aqui médias de quase 14 pontos e 5 rebotes em 30 minutos jogados, sendo um dos grandes destaques do segundo colocado da Conferência Leste.

5 – A inesperada troca de Blake Griffin para Detroit

A inesperada troca de Blake Griffin para o Detroit Pistons movimentou a NBA. O Los Angeles Clippers enviou sua principal estrela e, em retorno, recebeu Tobias Harris, Avery Bradley e Boban Marjanovic, além de duas escolhas de draft (uma de 1ª rodada e outra de 2ª).

A trade ainda é muito recente e não permite uma análise mais profunda, então considere este movimento como uma tentativa de tornar a franquia mais jovem, adicionar escolhas de draft, criar espaço na folha salarial e derrubar o gigantesco contrato de Griffin, tudo de uma única vez, mas sem abrir mão de disputar a vaga aos playoffs nessa temporada.

Foto: NBA

Para o Pistons, a chegada de um jogador do calibre de Blake Griffin sinaliza a intenção da franquia em retomar o protagonismo na liga. Ao lado de Andre Drummond, certamente formarão uma das duplas mais completas e perigosas de garrafão. Resta saber se Detroit irá conseguir reunir bons coadjuvantes ao redor dos dois e manter as finanças em dia, para que não sofra com um rebuild no futuro.

4 – Jimmy Butler e a esperança de voltar a pós-temporada

Foto: Getty Image

O Minnesota Timberwolves detém um dos piores recordes da NBA atualmente: são 13 anos sem chegar aos playoffs. Mas graças a uma negociação com o Chicago Bulls na noite do draft, essa escrita está próxima de se encerrar. Abrindo mão de jovens promessas como Zach LaVine e Kris Dunn, além da sétima escolha de 2017, os Wolves trouxeram o all-star Jimmy Butler para liderar a franquia e ser o mentor de Andrew Wiggins e Karl-Anthony Towns. Na sexta posição da Conferência Oeste, o trio pode sonhar até mais longe e, quem sabe, almejar o título da temporada. Caso consiga reforçar o banco com nomes mais confiáveis, Minnesota será um forte concorrente na liga nos próximos anos.

Para os Bulls, a escolha no draft resultou em Lauri Markkanen, principal jogador do time no ano, confirmando as expectativas que carregava após boas atuações pela Finlândia no EuroBasket. Dunn também vinha com boas atuações e melhores médias da carreira em pontos, rebotes e assistências, mas ficou afastado das quadras por quase um mês após sofrer uma concussão. LaVine precisou de alguns meses para retornar as quadras depois de uma grave lesão no joelho. Estreando apenas em janeiro, atuou somente em 19 oportunidades, mas consegue manter uma boa média de 16 pontos por jogo. Quando esteve em quadra por mais de 30 minutos, essa média passa dos 20 pontos. Com um plantel repleto de jovens estrelas, o Bulls parece estar acertando até aqui e realiza um bom trabalho de reconstrução.

3 – Thunder e Pacers na troca que foi boa para os dois lados

Foto: Fair Play

Quando a troca entre Pacers e Thunder foi concluída, muitos afirmaram que Indiana havia perdido sua principal estrela por quase nada em troca. OKC enviou Victor Oladipo e Domantas Sabonis e recebeu o astro Paul George. Insatisfeito com a falta de talentos na franquia do Leste, PG forçou sua saída e foi atuar ao lado de Westbrook após um forte período de especulações. Depois de um início conturbado e com atuações decepcionantes do time como um todo, Oklahoma conseguiu definir os papéis de seus principais jogadores e o nível de jogo de Paul George disparou. Decisivo, é o segundo homem da franquia e um dos jogadores eleitos para o All-Star Game. Além disso, é o terceiro com mais bolas de 3 pontos convertidas na liga, com 200 arremessos certos, e o segundo jogador que mais rouba bolas na liga, com médias de 2.1 steals.

Curiosamente, o líder no quesito é Oladipo, com 2.2 roubos por partida. Além de participar do campeonato de enterradas, o armador foi um dos reservas do All-Star Game pelo “Team Lebron”.

Em 4° lugar no Leste, mas apenas um jogo atrás do Cavs na terceira posição, a troca foi fundamental para o rejuvenescimento da franquia. Após uma temporada ruim com OKC, Sabonis e Oladipo reencontraram o bom basquete e viraram os líderes da equipe. Ao lado de Myles Turner e Darren Collison, o Pacers formou um conjunto que é muito difícil de ser batido dentro de casa, mas sofre com a inexperiência e a falta de um conjunto mais qualificado.

2 – Boston Celtics em mais uma troca fora de série

Foto: News Week

Inúmeras fontes na imprensa americana noticiaram o desejo de Kyrie Irving em sair do Cleveland Cavaliers e ser o principal protagonista de uma grande franquia. E em mais uma troca ousada arquitetada por Danny Ainge, o Boston Celtics adquiriu o armador em troca de Isaiah Thomas, Jae Crowder, Ante Žižić, a escolha de primeira rodada do Brooklyn em 2018 e uma escolha de segunda rodada em 2020.

Recheado de polêmica por todos os lados, a troca foi a mais discutida ao longo da pré-temporada, principalmente pelo fato do Celtics negociar a sua grande estrela após boa atuação nos playoffs, mesmo com a tragédia envolvendo a morte da irmã de Isaiah, Chyna Thomas.

Dentro de quadra, Irving mostrou porque é um dos mais habilidosos da liga. Com um repleto arsenal de jogadas, comanda o time celta e é o principal pontuador do elenco. Chegou a liderar uma sequência de 16 vitórias consecutivas, mas ainda sofre com as oscilações do jovem elenco.

Mesmo perdendo a primeira colocação da Conferência Leste para o Toronto Raptors, Boston ainda é considerado o favorito a enfrentar os Cavs na final dos playoffs.

Cleveland parece ter perdido mais do que se imaginava com a saída de seu antigo camisa 2. Os novos jogadores não encaixaram e o time de Lebron James sofria com uma completa desorganização de jogo, principalmente no setor defensivo. No último dia da janela de transferências, a diretoria negociou seis jogadores, incluindo Thomas e Crowder, e trouxe novos coadjuvantes para reforçar o elenco e resgatar a busca pelo título da NBA.

Na balança final, o Cavaliers trocou um dos ídolos da conquista de seu único campeonato por jovens promessas que até hoje não emplacaram. Só o tempo dirá quem saiu melhor.

1 – Chris Paul e James Harden liderando o melhor time da NBA

Foto: NBA

Esta parece ser de longe a melhor troca de toda a temporada. Chris Paul chegou à Houston em troca SETE jogadores, entre eles Lou Williams e Patrick Beverley, além de uma escolha de primeira rodada e considerações em dinheiro.

Quando concretizada, os especialistas se perguntavam como o técnico Mike D’Antoni iria fazer CP3 se encaixar ao estilo de jogo do Rockets sem tirar o volume de jogo de James Harden. Entretanto, o que se vê é uma completa sintonia entre os dois superastros.

Enquanto o Barba caminha para se tornar o MVP da temporada, Chris Paul trouxe o equilíbrio e a experiência que faltavam ao time. Adicionando suas médias de 18 pontos e 8 assistências, além de sua consistência defensiva, Houston conseguiu elevar o seu patamar de jogo e hoje mantém uma impressionante sequência de 16 vitórias seguidas, que lhe garantem o melhor retrospecto da NBA.

Principal obstáculo para o Golden State Warriors no lado Oeste, o Rockets conta inclusive com uma vantagem nos confrontos diretos nesse ano. Nos três jogos entre as equipes, são duas vitórias para Harden e companhia, saindo vencedores até na casa do adversário. Com o nível de atuação das duas franquias, será impossível cravar um favorito nesse possível duelo de playoffs.

Como devem se portar Pistons e Clippers após a troca mais inesperada da temporada

O que esperar do futuro das duas franquias?

POR Matheus Monteiro dia
Como devem se portar Pistons e Clippers após a troca mais inesperada da temporada
SB Nation

A inesperada troca de Blake Griffin para o Detroit Pistons movimentou a noite de segunda-feira na NBA. Depois de assinar no início da temporada um novo contrato de cinco anos para permanecer com a franquia, totalizando mais de U$ 171 milhões de dólares em salários, o Los Angeles Clippers trocou sua principal estrela e, em retorno, receberão Tobias Harris, Avery Bradley e Boban Marjanovic, além de duas escolhas de draft (uma de 1ª rodada e outra de 2ª). O repórter da ESPN americana, Adrian Wojnarowski, relata que o Clippers continua a se envolver em negociações em torno de DeAndre Jordan e Lou Williams, reforçando a ideia de que L.A. planeja remodelar sua rotação e iniciar um rebuild.

Em uma movimentação que, a princípio, não eleva o patamar de nenhuma das duas franquias, tentaremos destrinchar os pontos positivos e negativos e traçar planos para o futuro das duas equipes.

Detroit abriu a temporada 14-6 e imaginava-se uma sólida campanha antes de retroceder para a atual marca de 23-26. Em uma jogada arrojada, o front office viu uma oportunidade de negócio quando o Clippers começou a hesitar sobre seu futuro. Harris e Bradley eram os dois maiores pontuadores dos Pistons, mas ambos são essencialmente “role players de elite” que foram encarregados de tomar as ações ofensivas de um time sem muitas opções confiáveis.

Avery Bradley foi um dos destaques do Pistons na temporada. Fonte: Autor Desconhecido

Griffin, quando saudável, é um dos melhores jogadores da posição, cuja pontuação e qualidade de passe podem melhorar uma equipe. Sua adição cria uma oportunidade legítima para concorrer em uma Conferência Leste que parece não ter um franco favorito. Aliado com Andre Drummond, que atualmente é um dos principais reboteiros da liga, a parceria tem tudo para ser ainda mais vitoriosa do que a antiga dupla formada com DeAndre Jordan. Embora Jordan seja um defensor superior, Drummond se tornou um melhor passador e melhorou acentuadamente seu lance livre nesta temporada, com as melhores médias da carreira nos dois quesitos, além de possuir somente 24 anos.

A questão parece ser encontrar os coadjuvantes para colocar ao redor deles. O rookie Luke Kennard e Reggie Bullock são atualmente as únicas opções de Detroit nas alas, por exemplo. Reggie Jackson é a única opção confiável na armação, mas sofre com problemas de lesão. Faltam ativos para reforçar um elenco que pretender brigar na parte de cima. A boa notícia é que os Pistons podem tentar desenvolver esse ponto a longo prazo.

A má notícia é que podem correr sérios riscos financeiros nos próximos anos. Griffin vai completar 29 anos em março e vem com um histórico de lesão recheado, tendo jogado 80 jogos em uma temporada pela última vez em 2013-14. Ele tem contrato assinado até 2020-21 com um player option para 21-22. Estão apostando em sua saúde e sua química com Drummond, cujo acordo vai até 2020-21 (com um player option para essa temporada). Jackson também está assinado até 2019-20, e, sem realizar mais movimentos, é com isso que Detroit está trabalhando. O risco no curto prazo não deve ser tão alto, dado que Bradley é um agente livre na próxima janela, e quanto melhor o Pistons jogar, menos valor terá a pick deste ano para os Clippers.

 

Principal fator da troca, Blake Griffin foi pego de surpresa. Fonte: NBA

Esperar que Doc Rivers seja o responsável por lidar com uma verdadeira reconstrução na franquia talvez não seja o mais correto. Então considere este movimento como uma tentativa de tornar a franquia mais jovem, adicionar escolhas de draft, potencialmente criar espaço na folha salarial e derrubar o gigantesco contrato de Griffin, tudo de uma única vez.

Nenhum dos reforços chega para elevar o patamar do elenco, e até conhecermos os destinos de Jordan e Williams, será difícil avaliar completamente as decisões da franquia. Harris e Bradley serão úteis na rotação, com Tobias e Gallinari dando ao Clippers alguma versatilidade no setor ofensivo, por enquanto. Os pontos fortes de Bradley são exatamente o oposto do que Austin Rivers faz bem e, se conseguirem sua renovação, ele poderia formar um dos melhores backcourts defensivos da liga com Patrick Beverley.

A primeira escolha do Pistons provavelmente será enviada esta temporada (só é protegido entre escolhas 1-4) e os Clippers também adicionam uma de segunda rodada no próximo ano.

L.A. ainda deve ter o suficiente para continuar a brigar pela oitava vaga do Oeste se estiver nos planos, mas o que é mais importante, os Clippers provavelmente terão espaço significativo em 2019, quando os contratos de Harris e Marjanovic forem desfeitos. É notório que o proprietário Steve Ballmer está disposto a investir alto para vencer, e o time estará em posição de negociar para atrair agentes livres. Afinal, não há garantia de que os Lakers vão ser bons e ser a principal franquia da cidade mais badalada dos Estados Unidos é um ótimo chamariz. Dependendo qual caminho o Clippers escolher, eles poderiam se tornar um time ativo nesta próxima temporada.

O choque e a frustração da troca Griffin devem ser sentidos, mas também há de se elogiar a ousadia da franquia para reconhecer que atingiram seu teto. A partida de Chris Paul foi apenas o começo. Quem teria pensado que DeAndre Jordan seria o último dos três grandes? De qualquer forma, aceitar isso como uma brilhante decisão de começar de novo, parece ser o melhor caminho. Todos os olhos estão voltados no que eles vão fazer em seguida

 

O pivô mais caro da liga: uma análise que vai além das cifras

O que Al Horford representa vai além do que suas estatísticas demonstram?

POR Matheus Monteiro dia
O pivô mais caro da liga: uma análise que vai além das cifras
Imagem: Brian Babineau

Se você fosse perguntado qual pivô tem o maior salário da NBA hoje em dia, quem seria o seu palpite? André Drummond? Hassan Whiteside? DeMarcus Cousins? Curiosamente, a resposta certa seria Al Horford, com ganhos de 27 milhões de dólares por temporada.

Na offseason de 2016/2017, o dominicano acertou a sua transferência para o Boston Celtics por 113 milhões de dólares pagos ao longo de 4 anos. Obviamente esse valor está diretamente influenciado no fato do jogador celta ter sido um dos primeiros da posição a assinar um contrato após a expansão salarial, que lhe permitiu garantir um max deal superior aos outros. O que não deixa de chamar atenção pelas altas cifras pagas a um atleta contestado até pela sua torcida.

Contratado como um dos pilares da reconstrução da franquia, o pivô se mostrou como uma peça extremamente importante do sistema de jogo do técnico Brad Stevens. Inteligente, com bom passe e um arremesso qualificado para a posição, Horford poderia facilmente ser um ala-pivô nos dias de hoje, mas desempenha a função clássica da posição 5.

Embora não seja um reboteiro nato, compensa sua deficiência com o bom posicionamento e agilidade, sem contar sua experiência e liderança. Considerado como espelho para um jovem elenco, o veterano de 32 anos é fundamental para o desenvolvimento das futuras estrelas de Boston. Homem de confiança do treinador dentro de quadra, as batalhas vividas ao longo dos seus 10 anos de carreira na NBA o credenciam como um jogador que vai além das estatísticas. Um desafogo para Isaiah Thomas, e agora Kyrie Irving, Horford é a peça responsável por tirar a pressão de garotos como Jayson Tatum e Jaylen Brown, e prepará-los para os decisivos momentos que a franquia espera chegar. Sem dúvidas é um nome crucial para as aspirações do Celtics e sua chegada acelerou o rebuild tanto em termos técnicos, quanto em atrativo para outros atletas, aumentando a visibilidade de um elenco até então frágil e imaturo.

Mas talvez o ponto principal seja mostrar que Al Horford é um All-Star nesta temporada, embora suas estatísticas não o demonstrem.

Ele não precisa marcar 30 pontos em uma partida ou pegar 12 rebotes para fazer a diferença, e é isso que o torna tão bom. Brad Stevens renovou o jogo de Horford desde que assinou com os Celtics, e o veterano está aproveitando o momento. O camisa 42 tem médias de 13 pontos, sete rebotes e cinco assistências por jogo. Ele é um dos seis únicos jogadores que tem esse tipo de números, incluindo os titulares do All Star Game, Lebron James e DeMarcus Cousins, além de Russell Westbrook, que também foi deixado de lado. 

AH também está com aproveitamento acima de 50% nos arremessos de quadra e 43% do perímetro, números ótimos para um center atualmente. Só tenta uma média de 10 tiros por jogo, mas a forma como joga ajuda os jovens a ter um bom visual no momento ofensivo e permanecer ativo na defensiva.

Sendo a peça central da melhor equipe defensiva da liga, ajudou o Boston Celtics a se tornar um dos favoritos da Conferência Leste. Isso deveria ser bastante o suficiente para garantir melhores olhares sobre seu trabalho.

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