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William Barbosa

William Barbosa

Fã da NBA na época do NBA Jam do SNES, viveu um tempo de quarentena até passar a acompanhar novamente a partir do basquete-arte do Golden State Warriors.

Os melhores da TV brasileira na NBA - Ricardo Bulgarelli

Batemos um papo "no filter" com Bulga, que fala de sua trajetória, temporada da NBA e não fica em cima do muro no assunto Michael Jordan x LeBron James

POR William Barbosa dia
Os melhores da TV brasileira na NBA - Ricardo Bulgarelli
Ricardo Bulgarelli, o Bulga, é nosso convidado na série "Melhores da TV brasileira" (Foto: ESPN)

Semana passada batemos um papo com Rodrigo Alves, comentarista da NBA no SporTV, numa agradável entrevista. Nessa semana, continuamos nossa série "Os melhores da TV brasileira na NBA" com um convidado pra lá de especial: Ricardo Bulgarelli, comentarista da NBA nos canais ESPN e agora também do jogo da semana da Vivo.

"Bulga" é visto como um grande estudioso do basquete e é impressionante ver como tem tudo na ponta da língua. Ele também é conhecido pelas transmissões divertidas ao lado de Rômulo Mendonça e Everaldo Marques, além do grande carisma e, acima de tudo, humildade. Não se esquivou das perguntas, foi diretamente "no filter" e nos recebeu muito bem. Confira a entrevista:

William Barbosa - Bulga, primeiramente queremos agradecer por nos conceder essa entrevista. Hoje você é uma referência quando se fala de basquete, principalmente NBA, na TV e nas redes sociais. Quando surgiu seu interesse por basquete?

Ricardo Bulgarelli – William, primeiramente agradeço as palavras e o convite também pra esse bate-papo, é sempre bom falar de basquetebol. Com relação ao meu interesse por basquete: sempre fui um cara que acompanhava todos esportes. Principalmente em época de Olimpíadas eu pirava e acompanhava tudo. Meu primeiro contato com basquete de alto nível foi em um Mundial [Interclubes] que teve aqui [em São Paulo] no início dos anos 80, em que o Real Madrid foi campeão em cima do Sírio. Eu fui nas primeiras rodadas - porque os ingressos eram mais baratos - ver o time do Real Madrid que era uma das potências do basquetebol europeu. Eu me lembro que gostei por ser algo diferente: eram muitas estatísticas (assistências, rebotes, pontuação) e você podia ajudar de várias formas a equipe... Aquela adrenalina de jogar contra o relógio chamava muita atenção quando eu era moleque - nesse campeonato eu devia ter uns 10 anos de idade. Esse contato com o Ginásio do Ibirapuera cheio e, depois, vieram as fases finais de campeonato paulista no início dos anos 80, tinha o Corinthians, Monte Líbano, Sírio, Francana, times mais fortes de São Paulo, sempre com o ginásio lotado... Acho que a atmosfera faz do basquete um esporte tão apaixonante: vitória no último segundo, muitas alternativas durante o jogo, não ter repetições de jogadas como, por exemplo, o vôlei... Tudo isso me chamava muita atenção.

William Barbosa - E onde você começou profissionalmente falando? Como foi sua trajetória até chegar à ESPN?

Ricardo Bulgarelli – Queria ser veterinário, e tinha um amigo no colegial que me “enchia o saco” pra fazer jornalismo, já que eu acompanhava todos os esportes, estatísticas dos jogos, sabia de cor quem tinha feito tantos pontos, não só no basquete... Eu conhecia todas as escalações do futebol brasileiro e futebol internacional, mas nunca me imaginei trabalhando com isso. Via mais como um hobby. Eu ia na loteria direto e quase bati os 13 pontos da Loteca (risos) por conta do meu conhecimento de futebol internacional. Sabia “zebra”, sabia onde algum resultado poderia surpreender por acompanhar a Liga Espanhola, Campeonato Inglês, Campeonato Italiano, que eram os que eu mais gostava de acompanhar.

Daí, depois de 3 anos tentando prestar Veterinária e só ficando na lista de espera da USP e UNESP, que eram de graça (Medicina e Veterinária já eram na época muito caras nas faculdades particulares), eu acabei indo fazer Rádio/TV na FAAP. Aí esse amigo meu (o que me enchia o saco no Colegial) estava trabalhando no Show do Esporte na Band e me chamou pra ser estagiário lá. Então eu comecei no auge do Show do Esporte, onde eu me imaginava trabalhar no auge da minha carreira e que era a grande referência: um domingo inteiro de esporte.

Assim, meu início foi na Bandeirantes, uma grande escola onde aprendi e foi muito importante. Depois de 9 meses fui para a ESPN e fiquei lá por 7 anos como estagiário, produtor, editor, editor-chefe do “Por dentro do basquete” - programa semanal de basquete e foi apresentado pelo Fábio Sormani, depois pelo João Palomino e então pelo André Kfouri. Antes disso fui pra Copa de 1998 porque eu também editava pro “Futebol no mundo”, programa de futebol internacional. Trabalhei em 3 All-Stars da NBA, Mundial de Indianápolis e tive uma passagem pelo US Open de tênis de 2001, que foi o melhor desempenho do Guga nas quartas-de-final sendo derrotado pelo [Yevgeni] Kafelnikov.

Essa foi a minha trajetória até a ESPN na minha primeira passagem. Depois disso tive passagem pelo SBT, onde fiz um Campeonato Paulista. Passei também pela Record e fiquei 12 anos lá coordenando transmissões esportivas até 2012, quando recebi um convite pra ser comentarista da NBA pelo Sports+, canal exclusivo para assinantes SKY. Nele tinha a NBA e, no ano seguinte, teve a Euroliga de basquete. Cheguei a comentar futebol na Champions League, mas meu foco sempre foi basquetebol profissional: NBA e o basquete europeu pelos quais sou apaixonado. Em 2015 o Sports+ fechou e o pessoal que me acompanhava criou uma hashtag nas redes sociais #ESPNContrataOBulga e #SporTVContrataOBulga. Em setembro de 2015, a ESPN me chamou de volta como comentarista de basquete.

William Barbosa - Você é declaradamente torcedor dos Trail Blazers...  Acha que esse ano eles podem sonhar mais alto? O que você espera do futuro da franquia?

Ricardo Bulgarelli – Me tornei torcedor do Portland por causa do Sabonis e do Petrovic, que foram os dois maiores que vi jogar pelos Blazers. Quando comecei a acompanhar NBA no fim dos anos 80 foi quando o Petrovic chegou pra jogar no Portland. Na época o Sabonis já tinha sido draftado mas não podia jogar por causa da Guerra Fria e o Portland tinha um grande time. Teve também um All Star Game em 1988 em que o Clyde Drexler (também jogador dos Blazers) matou 3 bolas de longa distância e que me chamou a atenção, além de gostar muito do uniforme do Portland.

Arvydas Sabonis, em passagem pelo Portland Trail Blazers no fim da década de 80 (Foto: Pinterest)

Sou torcedor e não vou deixar de ser nunca, mas sou bem realista: Não vejo nenhuma chance de sonhar mais alto. Acho que o time vai ter que lutar bastante. Apesar do começo surpreendente, vencendo jogos, Maurice Harkless machucado... vejo o time tendo muitas dificuldades pra chegar na pós-temporada. A conferência Oeste está cada vez mais difícil, o LeBron foi pra lá, são vários jogos contra adversários fortes, calendário mais puxado em relação ao Leste... Pra mim, chegar na pós-temporada está de bom tamanho.

Quanto ao futuro, eu temo pela não-permanência da equipe em Portland, ainda mais agora que faleceu o Paul Allen, dono da franquia. Eu ainda sonho ver os Blazers campeões da NBA, porque em 1977 era muito novo e não tínhamos as imagens da liga aqui no Brasil. Lembro que as imagens, VT’s e jogos ao vivo começaram a chegar na metade dos anos 80. E eu bati na trave duas vezes depois disso, porque perdemos o título em 1990 e 1992. Ainda espero ver um título apesar de achar pouco provável.

William Barbosa - Um dos momentos mais marcantes pra mim ao acompanhar suas transmissões foi o dueto que você fez com o Rômulo Mendonça num jogo dos Cavaliers contra os Wizards... “LeBron, ladrão, roubou meu coração” (risos)! Como é trabalhar ao lado dele e do Everaldo Marques?

Ricardo Bulgarelli – É muito fácil trabalhar com os dois. Eles são muito competentes e trabalham com amor, emoção, sabem dosar a informação... O Rômulo tem essas tiradas porque pensa muito rápido, é um cara antenado a tudo que acontece, o que está na boca do povo... Ele tem muita facilidade e todo mundo consegue identificar na hora nomes, frases e trocadilhos. Então as transmissões são muito prazerosas não só com os dois, mas também com o [Fernando] Nardini, Ari [Aguiar] e o Renan [do Couto]. Todos fazem um excelente trabalho nos canais ESPN e são ótimos narradores. O Everaldo e o Rômulo aparecem mais porque são mais escalados - as caras e “os caras” do canal e, além disso, são muito inteligentes. Conseguem tirar o melhor do jogo, colocar emoção e são muito verdadeiros.

Ricardo Bulgarelli (à direita) em transmissão com Rômulo Mendonça (Foto: Scoopnest)

A história do “Lebron, ladrão, roubou meu coração” foi uma frase que o Rômulo soltou antes de um pedido de tempo naquele jogo, onde o LeBron tinha acabado de conseguir 3 fadeaways impossíveis naquela sexta-feira à noite... Eu gosto da atmosfera de arquibancada, fico arrepiado em jogo de Euroliga e acho que falta isso um pouco na NBA: um torcedor mais apaixonado, cantando, vibrando. E quando eu ouvi aquilo na saída de bloco, entoei na minha cabeça como se fosse um grito de torcida e acabou virando um hit (risos). Primeiramente mérito do Rômulo e depois do LeBron. Acho que a temporada que ele fez agregou bastante ao hit e ajudou demais a música ter sido feita para o maior jogador da atualidade.

William Barbosa - Falando de NBA... O que você espera dessa temporada em termos de finais de conferência e NBA Finals?

Ricardo Bulgarelli – Pra mim o Golden State vai ser campeão. Estou na expectativa de ver como o DeMarcus Cousins vai se encaixar no time; os Warriors sabem que não vão ter dinheiro pra renovar e ele sabe que vai precisar mostrar serviço pra abocanhar um salário melhor no ano que vem. Então acho que ele vai jogar focado pra ser campeão, fazer uma temporada histórica e tem tudo pra ser o melhor time que já vi jogar.

Em relação ao Leste, Toronto vem muito bem e Kawhi foi uma adição excepcional. O Nick Nurse encontrou uma forma de jogar e trouxe o Ibaka pra dentro do garrafão. O banco de Toronto também é muito forte e acho que Raptors e Celtics farão uma série de 7 jogos nas finais de conferência. Boston vai ter mais dificuldades por conta dos “moleques” que foram bem na temporada passada. Com o retorno do Kyrie Irving e Gordon Hayward, Brad Stevens vai ter o trabalho de encontrar espaço pra todo mundo. É bom você ter um elenco com profundidade, mas é também um risco por conta de atritos no vestiário. Vamos ver como o Brad Stevens vai lidar com isso.

Então, se eu tivesse de apostar, apostaria numa final entre Toronto x Golden State, embora ache que não tenha nenhum time na liga capaz de ganhar de Golden State numa série de 7 jogos.

Para Bulgarelli, Warriors serão novamente campeões (Foto: Arquivo da Internet)

William Barbosa - Sem ficar em cima do muro (risos)... Michael Jordan ou LeBron James?

Ricardo Bulgarelli – Eu não gosto de comparar gerações mas, dos que eu vi jogar, LeBron James é quem mais se aproximou de Michael Jordan. Eu costumo dizer: “Michael Jordan é o maior jogador da história, e LeBron James é o melhor jogador que vi jogar.” O LeBron é mais completo, mas o Jordan mudou a liga e se tornou referência pra todo mundo. E pode ser que, daqui a 30 anos, a gente fale do LeBron da mesma forma que falamos hoje do Jordan. Então, o LeBron é o Michael Jordan dessa geração.

O Kobe Bryant foi quem mais se aproximou do Jordan em questão de imitar os movimentos dele e de ser vencedor, matando bolas importantes. O fato do LeBron ter demorado mais pra amadurecer e decidir os jogos coloca essa dúvida entre os dois (Kobe e LeBron), mas ele é capaz de marcar as 5 posições. Numa época em que o basquete era diferente, com pivôs dominantes, o Michael Jordan, por exemplo, não conseguiria marcar o Shaquille O’Neal, mas LeBron marcava o Kevin Garnett com muita competência.

Lebron James x Kevin Garnett (Foto: Pinterest)

Eu tenho 47 anos e só posso falar de jogadores que vi jogar em transmissões ao vivo. Sei que tem outros jogadores como Magic Johnson que foram fantásticos, o Larry Byrd, antes do problema nas costas, também... Mas o Jordan fez com que muitos se tornassem jogadores de basquete. Acho que no futuro o LeBron vai ter um peso maior do que tem hoje, mas o Jordan jogou 6 finais da NBA e ganhou as 6! Claro que ninguém ganha sozinho, mas individualmente ele era muito decisivo e confiante, plasticamente mais bonito de ver jogar. O LeBron também faz grandes jogadas, mas todo mundo leva mais pro lado da força. Então, pra mim, o melhor é o Michael Jordan, mas por muito pouco.

Michael Jordan ainda é o "GOAT" na opinião de Bulga (Foto: Getty Images)

William Barbosa - E o LeBron tem 33 anos, deve cumprir o contrato de 4 anos com os Lakers... Acha que ele se aposenta depois disso? Quem assumiria o lugar do Rei, na sua opinião?

Ricardo Bulgarelli – Confesso que não sei. Nesse ritmo, acho que se ele ganhar algum título com os Lakers, deve jogar mais uma temporada além do contrato. Dizem que ele vai esperar o filho dele pra jogarem juntos e, do jeito que se cuida, não duvido.

Não consigo ver ninguém ainda pra assumir o lugar dele. Antetokounmpo e Anthony Davis são muito bons, mas pra atingir esse status precisa ser vencedor. O Milwaukee faz uma boa temporada até agora; o Davis lida com várias lesões e, além disso, joga no Oeste, o que torna tudo mais difícil.

Acho que o Kevin Durant seria o melhor jogador do mundo nesse momento se o LeBron não existisse, mas o fato de ele jogar num “super-time” o coloca no mesmo nível, por exemplo, do Curry. Se ele jogasse no Brooklyn Nets seria um jogador muito mais dominante, pontuaria muito mais e carregaria a liga. É um cara que me agrada muito ver jogar.

O Antetokounmpo evolui a cada temporada e é muito forte, uma aberração... A cada ano que passa parece mais forte e mais alto, mais preparado e, dessa vez, está com um treinador mais experiente e que dá sinais de que vai ser uma temporada diferente. Gosto também do Kawhi, mas ele não tem esse perfil, é muito “zen” (risos)... Não é alguém pra ser a “cara” da liga. O Curry e o Durant são foras-de-série, mas jogarem em um “super-time” acaba por diminuir o peso e o “glamour” deles. Posso estar esquecendo de alguém, mas não vejo ninguém hoje pra carregar a liga e chegar a 8 finais seguidas com jogadores medianos/bons.

William Barbosa - A ESPN tem uma ótima cobertura do NBB, divide agora as transmissões da NBA com o SporTV, diversos sites e perfis das redes sociais falando de basquete...  Existe mais espaço para o crescimento da NBA e do basquete no Brasil?

Ricardo Bulgarelli – Sempre tem mais espaço para o basquete. É muito bom ter várias emissoras cobrindo o NBB, não só a ESPN, mas a Fox Sports, BandSports...  Na TV aberta a Band já se consolidou com boas audiências no sábado. A NBA já há algum tempo tem a cobertura nas redes sociais, com transmissões pelo Facebook e Twitter – que será o futuro das mídias – e o trabalho tem sido bem feito. Acho que falta transmitir de novo a Euroliga de basquete nos canais fechados. A Fox tem o campeonato espanhol e a ESPN tem o basquete universitário, mas o feminino está meio abandonado e poderia voltar a ter transmissões nas TVs aberta e fechada pra poder ressurgir.

É muito bom ver o momento do basquete no Brasil, um esporte que chegou a ser o 2° do país, que ganhava medalhas, brigava por pódio e não apenas participava. Lembro que em 1986 teve um Campeonato Mundial na Espanha e a TV Bandeirantes fez uma cobertura fantástica, transmitiu vários jogos, com o Brasil tendo uma chance real de medalha. Mas daí em 1988 em Seul teve a medalha de prata no vôlei na geração do Bernard, Renan e Montanaro e, em 1992, a medalha de ouro. Nesse momento, o vôlei toma o lugar do basquete no coração do brasileiro, que gosta de ver o time ganhando.

Aconteceu o mesmo na F1. O brasileiro, acostumado a ver Emerson Fittipaldi, Piquet e Senna brigando por títulos, perdeu o interesse quando não viu mais ninguém com chances de ganhar. Então, o que falta para o basquete brasileiro é um resultado de expressão a nível internacional, principalmente da seleção brasileira. Ter muitos brasileiros atuando na NBA nos últimos anos ajudou a divulgar, massificar e acho que o basquete está no caminho certo. O brasileiro voltou a jogar basquete e a gente percebe isso nas peneiras e categorias de base.

Quando comecei a acompanhar NBA tinha um jogo por semana apenas, mas hoje tem 10 jogos ao vivo por semana só na ESPN e SporTV, sem contar o League Pass, com cobertura completa, highlights... Eu até brinco que, quando o Zico fazia um gol pela Udinese no domingo, a gente só ia ver no outro domingo. Hoje o cara dá uma enterrada e, 10 segundos, depois, está na internet pra todo mundo ver. Então essa “overdose” de transmissões faz com que o garoto brasileiro que está crescendo queira jogar e ser igual o Curry, o Durant e o LeBron James. Fazendo a cobertura pela internet ou pela televisão, o importante é a criação de novas gerações de basquete, tanto masculino quanto feminino.

William Barbosa - Os brasileiros normalmente são preteridos nas equipes da NBA...  Acha que o problema tem a ver com o talento muito superior dos americanos e europeus ou algo mais contribui para a falta de destaque dos nossos jogadores?

Ricardo Bulgarelli – Os últimos brasileiros com destaque na NBA foram jogadores da posição 5. Só que o basquete mudou e exige hoje maior versatilidade do jogador, fazendo mais de uma posição. E isso acabou sendo uma dificuldade para os nossos jogadores. Falta intercâmbio e o trabalho na base não é bem feito.

Por exemplo, um jogador alto pra sua idade já é colocado pra jogar como pivô, mais pra frente não cresce e tem dificuldade pra se adaptar em outras posições. Falta um trabalho mais específico e um acompanhamento geral, mas isso está mudando com a entrada de outros clubes que fazem um tratamento diferenciado com comissões técnicas grandes. Tem clube onde o treinador não tem ninguém pra ajudar ou tem um assistente técnico, no máximo...

Fisicamente a gente está atrás dos americanos, e tecnicamente os europeus são mais bem preparados. E se não fosse o NBB a situação seria bem pior. O NBB resgatou um pouco o basquete [masculino], que devido à má administração ficou fora de 4 olimpíadas, muito tempo sem ter um intercâmbio com equipes de fora e aí fica difícil competir em alto nível. O talento aqui ainda existe, mas precisa ser melhor lapidado e melhor administrado. Às vezes, alguns agentes querem atropelar as coisas e “acelerar” o desenvolvimento...

São pequenos problemas que fazem uma bola de neve, mas há uma luz no fim do túnel pra dar a volta por cima. Torço pra que as próximas gerações sejam bem aproveitadas e torço pra que a CBB, sob o comando do Guy Peixoto, tenha sucesso e equilíbrio nas tomadas de decisão pra pensar, não a curto, mas a longo prazo. E que o basquete não caia mais até onde caiu em anos anteriores, principalmente o feminino que foi o último a nos trazer grandes conquistas na década de 90.

William Barbosa - Que mensagem você deixaria para quem quer praticar basquete profissionalmente e não desanimar com esse cenário desfavorável?

Ricardo Bulgarelli – Meu pai sempre falou pra que eu fizesse tudo com amor. Quando fazemos por amor, as chances de sermos bem-sucedidos naquilo que nos propomos é grande. É preciso respeito ao próximo, lealdade aos companheiros, dedicação máxima, saber que nada vem fácil e que é sempre uma luta árdua e diária. Você acaba abrindo mão de muitas coisas, mas quem tem foco e o sonho de ser jogador de basquete profissional nunca deve desistir dos seus sonhos e precisa que trabalhar firme todos os dias.

Encare seus treinamentos com seriedade e dê atenção em cada palavra dos seus comandantes. Saiba ouvir e falar também na hora certa. O basquete é um esporte maravilhoso, coletivo e você pode ser protagonista sem colocar a bola na cesta, ajudando sua equipe de outras maneiras, roubando bolas, dando assistências, fazendo bloqueios. Não é demérito ser especialista em algum fundamento.

Hoje eu costumo dizer que, se você não é talentoso, mas é forte fisicamente e dedicado, corre a quadra toda e se entrega de uma forma que, no final dos jogos, tem a consciência que deu tudo de si, você vai vencer no basquetebol. E se, além de tudo isso, tiver talento, então vai ser fora-de-série. Não pense apenas em si, mas também nos seus companheiros e você será um excepcional jogador.

Os melhores da TV brasileira na NBA - Rodrigo Alves

O comentarista de basquete do SporTV Rodrigo Alves concedeu entrevista exclusiva ao Sobe a Bola e fala de sua trajetória, seu trabalho e claro, NBA

POR William Barbosa dia
Os melhores da TV brasileira na NBA - Rodrigo Alves
Rodrigo Alves bateu um papo com o Sobe a Bola (Foto: Globoesporte.com)

Tem aquele ditado que diz: "De comentarista e louco, todo mundo tem um pouco". Todos nós gostamos de dar nossos pitacos sobre qualquer assunto e, naturalmente, a NBA não foge dessa regra. Hoje temos inúmeros sites, perfis de Twitter, páginas do Facebook, Podcasts (ouça o nosso aqui) e canais que falam sobre a maior liga de basquete do mundo. 

Dentre tudo e todos que nos cercam nesse âmbito, existem aqueles que estudaram muito e trabalharam demais numa época em que não tínhamos toda essa cobertura em relação à NBA e, claro, são nas dificuldades que as pessoas acabam se superando. Profissionais que tinham que ir atrás de informação a todo custo em vez de gastar apenas alguns cliques ou "touchs" pra acessar uma notícia.

E assim, conseguimos bater um papo com quem conhece todas essas dificuldades e está se tornando um dos maiores profissionais da mídia brasileira, além de ser também um grande estudioso da história do basquete: Rodrigo Alves. Atual comentarista do SporTV, Rodrigo concedeu uma entrevista exclusiva ao Sobe a Bola com todo o carisma e inteligência que tanto têm agradado aos fãs que assistem ao basquete no canal. Confira:

William Barbosa - Rodrigo, qual foi a sua trajetória até se tornar comentarista de basquete no SporTV?

Rodrigo Alves - Eu comecei minha carreira em 1998, no Jornal do Brasil, onde fiquei por 8 anos, nas áreas de Literatura e Política. Não trabalhei com esporte, mas durante esse período, em paralelo, criei um blog de basquete chamado Rebote, em 2002. Quando saí do Jornal do Brasil, o blog já era conhecido na comunidade do basquete. E fui chamado para fazer um teste no Globoesporte.com, como comentarista. Passei no teste e fiquei três anos comentando as transmissões da NBA na internet, com o Roby Porto. Quando acabou esse contrato do site com a NBA, fui aproveitado no Globoesporte.com, onde trabalhei por 12 anos. Passei por várias áreas, inclusive a cobertura de basquete. Coordenei a equipe de esportes olímpicos durante um bom tempo, depois futebol, projetos especiais etc. Durante todo esse tempo, eu comentava basquete no SporTV esporadicamente, como convidado. No início de 2018, eles me fizeram o convite para me tornar comentarista fixo do canal, e passei a trabalhar nessa função.

Rodrigo Alves e Roby Porto em 2006 nas transmissões pela Internet (Foto: Arquivo da Internet)

William Barbosa - Como você vê o crescimento do basquete entre os brasileiros, principalmente em relação à NBA, tanto na prática do esporte quanto pela cobertura da mídia?

Rodrigo Alves - Hoje há uma febre de NBA no Brasil, o que é ótimo. E o basquete brasileiro tem aproveitado bem essa carona, com o NBB muito bem estruturado, e a LBF buscando seu espaço. Quando eu comecei a acompanhar basquete, a única opção na TV era o jogo semanal da Band. Não havia internet. E para saber os resultados, a gente tinha que comprar o jornal para conferir a notinha da NBA que saía no canto da página. E nem era o jornal do dia seguinte, porque não dava tempo de incluir, já que os jogos acabavam na madrugada. Os resultados saíam no jornal de dois dias depois. Quando alguém viajava, trazia algumas revistas americanas. E a Band exibia também o NBA Action com o resumo da semana. Era assim que a gente se informava sobre NBA, sem acesso nenhum a estatísticas ou jogos completos. Hoje não temos mais NBA na TV aberta, mas em compensação a TV por assinatura tem jogo quase todo dia, sem falar na facilidade da internet.

William Barbosa - Qual a sua perspectiva para essa temporada da NBA, em termos de finais de conferência e NBA Finals?

Rodrigo Alves - Difícil prever qualquer coisa agora, mas o normal é que o Golden State chegue à final mais uma vez, a não ser que algo dê muito errado. Ainda acredito numa recuperação do Houston, apesar do início ruim. No Leste, Toronto e Milwaukee começaram muito bem, mas ainda acho que o Boston tem condição de chegar à final da conferência. Se eu tivesse que apostar hoje, apostaria numa final entre Warriors e Celtics.

WB - Como é participar das transmissões ao lado de alguém tão carismático quanto o Roby Porto? Ele gosta do Curry né (risos)?

Rodrigo Alves - Eu conheço o Roby desde aquela minha primeira experiência em 2006. Ele foi muito generoso comigo e sempre me ajudou bastante. É um cara fenomenal. Então fiquei bem feliz por voltar a trabalhar oficialmente com ele agora no SporTV. Ele se dedica muito ao esporte, estuda muito e tem uma experiência muito ampla. A história com o Curry é engraçada, porque o Roby é torcedor dos Knicks, não tem nenhuma relação com o Curry ou o Golden State. Mas as narrações do auge do Curry ficaram marcadas, e quando a fama pega, não tem jeito. Hoje basta ele falar o nome do Curry para todo mundo dizer que está torcendo. Faz parte, é do jogo, e ele mesmo se diverte com isso.

WB - Como você se sente sabendo que faz parte de um quadro de comentaristas que conta também com grandes nomes da história do basquete brasileiro como Hortência e Marcelinho Machado?

Rodrigo Alves - Para quem ama o esporte, como eu, é claro que é um baita privilégio. Algumas pessoas não têm muita noção do que foi a Hortência como jogadora. Ela é simplesmente um dos maiores nomes da história do basquete mundial. Na primeira vez em que fiz uma transmissão com ela, foi até estranho. Depois a gente vai se acostumando, mas recentemente cheguei a comentar isso numa transmissão do NBB: às vezes a gente esquece o que representa estar ali ao lado dela. É uma personagem gigante. O Marcelinho também tem uma história enorme no basquete. Por enquanto eu só fiz um jogo com ele, justamente a abertura dessa temporada da NBA, e foi muito bacana. Ele tem se preparado muito para as transmissões, faz vários estudos, chega com muita informação. Além da bagagem da quadra, né, que sempre acrescenta muito. Acho que ele vai se tornar um grande comentarista.

Rodrigo Alves comentando pelo SporTV ao lado de Roby Porto e Renatinho (Foto:Twitter)

WB - Como você vê a carreira de LeBron James e seu legado para a NBA? Acha que o Curry, em termos de realizações, carisma e títulos, pode substituir o Rei?

Rodrigo Alves - Falando em privilégio, é o que eu sinto por ter acompanhado a carreira do LeBron desde o início, desde o colegial. É muito legal ver, pouco a pouco, o cara subindo os degraus na lista dos maiores de todos os tempos. Hoje, para mim, ele só está atrás do Michael Jordan (e essa posição foi conquistada recentemente, depois daquele playoff insano da temporada passada). E fora da quadra é um cara incrível também, que se posiciona socialmente, é fundamental para a comunidade e para o esporte. O Curry é fantástico, revolucionou os arremessos de três, mas na minha opinião não está no mesmo nível do LeBron. Bem longe disso, aliás. Curry não é sequer um top 15 da história da NBA - o que não é nenhum demérito, porque só tem gênio nessa lista. Então não acho que é ele o cara para ficar com o legado do LeBron. Para mim, por exemplo, o Durant está acima do Curry em grandeza, MVP de finais duas vezes, ótimo defensor, monstruoso pela seleção americana. Coisas que o Curry não tem. Mas vou parar de criticar do Curry, para o Roby não ficar bravo, né? (Risos). Mentira, sou muito fã do Curry também. E acho que ele tem grandes chances de ser MVP de novo nesta temporada.

WB - Por que você acha tão difícil os brasileiros se firmarem em um time da NBA? Estamos tão distantes assim dos americanos em termos de talento?

Rodrigo Alves - Primeiro, é uma questão geracional. Acho que a geração anterior (Leandrinho, Nenê, Splitter, Varejão) era mais talentosa que a atual, simples assim. E a confederação brasileira jogou décadas no lixo com um trabalho péssimo na base, na formação. Uma hora essa conta chega. Se você não consegue produzir bons jogadores em grande quantidade, há um reflexo na elite. E quando digo elite, digo seleção brasileira, e os jogadores com chance de jogar com destaque na NBA e na Europa. Temos alguns bons nomes, inclusive os muito jovens. Mas o momento para o Brasil na NBA não é de tanto destaque como foi recentemente. Ficamos na torcida.

WB - Toparia participar do Podcast do Sobe a Bola no futuro, sem cachê (risos)?

Rodrigo Alves - Eu nem sempre consigo, porque a rotina é corrida, então nem sempre dá pra atender todo mundo. Aí eu fico numa situação super desconfortável (risos), fico sem graça. Como não consigo participar de todos, já até declinei alguns convites de podcasts justamente para não atender um e deixar o outro chateado. Isso me deixa bem constrangido, porque por mim eu gravaria com todo mundo, mas infelizmente não é possível. Então tento compensar na resenha do Twitter, trocando ideia com todo mundo que me procura. Ali todo mundo é parte da mesma comunidade, e o nível da galera é altíssimo. A comunidade do basquete no Brasil vive um grande momento. Para quem trabalha com isso, é um privilégio. Tomara que só cresça.

Bryan Colangelo e o caso das contas falsas do Twitter: Como o GM dos 76ers ficou contra a parede

Uma coleção de contas falsas do Twitter que criticava Joel Embiid e Markelle Fultz e vazava informações confidenciais foi atribuída a Colangelo

POR William Barbosa dia
Bryan Colangelo e o caso das contas falsas do Twitter: Como o GM dos 76ers ficou contra a parede
Vazamento de informações e críticas a jogadores e colegas: O GM que está no centro das controvérsias (Foto: GettyImages)

E se o Gerente Geral de alguma franquia da NBA criasse várias contas falsas de Twitter para falar tudo aquilo que pensa, mas não poderia falar por meio de sua conta oficial? Sim, claro, a ideia é um tanto bizarra. Mas é exatamente o que  Bryan Colangelo, GM do Philadelphia 76ers, está sendo acusado de ter feito, segundo reportagem do portal The Ringer, dos EUA.

Tudo começou em Fevereiro desse ano, quando uma fonte anônima deu uma dica ao The Ringer dizendo que Colangelo, que também é presidente de operações dos Sixers, mantinha secretamente 5 contas do Twitter, que passaram a ser investigadas pelo portal. A partir daí, para verificar a fonte, o portal acompanhou o comportamento das contas e percebeu o objetivo delas:

  • Criticar jogadores da NBA, incluindo Joel Embiid, Jahlil Okafor e Nerlens Noel;
  • Debater publicamente sobre as decisões da equipe técnica, além de criticar o ex- General Manager Sam Hinkie e o presidente do Toronto Raptors Masai Ujiri;
  • Antecipar as movimentações dos Sixers para selecionar Markelle Fultz como 1° escolha geral do Draft de 2017;
  • Vazar informações médicas confidenciais sobre Okafor e "fofocar" sobre Embiid e Fultz para a mídia nacional e até mesmo da Philadelphia.

As 5 contas que foram informadas pela fonte desconhecida incluía uma que seguia membros da mídia, empregados dos Sixers e agentes da NBA, mas nunca tuitou nada (usuário @phila1234567, sem nome) e 4 que postavam tweets e respostas a outros usuários.

Das outras quatro, 1 esteve ativa entre abril de 2016 e maio de 2017 (conta Eric Jr e usuário @AlVic40117560), 2 estavam ativas nos últimos 5 meses (HonestAbe/@Honesta34197118 e Enoughunknwonsources/@Enoughunknownsol) e 1 postava várias vezes durante o dia (Still Balling/@s_bonhams), mais recentemente há uma semana.

No dia 22 de maio, o The Ringer enviou um e-mail aos Sixers compartilhando os nomes de apenas 2 dessas contas (phila1234567 e Eric Jr). A intenção era clara ao não compartilhar as outras 3: observar se elas mudariam de comportamento após a revelação de 2 delas. Como era de esperar, algo realmente mudou nessas 3 outras contas.

Na mesma tarde do dia 22 de maio, todas as 3 contas que não haviam sido reveladas aos Sixers mudaram de "público" para "privado" e ficaram offline - incluindo uma (HonestAbe) que não estava ativa desde dezembro de 2017. A conta Still Balling, que tuitava diariamente, parou de postar desde então. De acordo com o portal, foi criada uma conta falsa que seguiu o perfil e possibilitou ver a atividade da conta mesmo depois de se tornar "privada".

Surpreendentemente, o representante dos Sixers retornou o contato do The Ringer e confirmou que uma das contas (phila1234567, que nunca postou nada) era, de fato, de Colangelo. Quando ele foi perguntado com quem mais havia discutido o assunto, respondeu que conversou com apenas uma pessoa: Colangelo.

Ontem (29), o The Ringer revelou aos Sixers a conexão entre as 5 contas do Twitter que são atribuídas a Colangelo. A equipe respondeu com uma nota do GM:

"Como muitos de meus colegas, eu uso as redes sociais para me manter em dia com as notícias. Da mesma forma que nunca postei nada nelas, eu uso a conta @phila1234567 no Twitter para monitorar nossa indústria e outros eventos do momento. Esse assunto está me incomodando em diversos níveis e eu não tenho nada a ver com nenhuma dessas contas que me trouxeram à atenção, nem sei quem está por trás delas ou quais são suas motivações"

De qualquer forma, mesmo com a negativa de Colangelo, mais padrões foram observados no comportamento das contas. Por exemplo, no print da postagem do Twitter no início do artigo, "Eric Jr" dá a entender que Jahlil Okafor teve problemas físicos que o impediram de ser negociado com outro time. Essa informação nunca veio a público e só poderia ser dada por alguém intimamente envolvido na negociação.

Além disso, essa mesma conta faz esforços um tanto incomuns pra proteger a imagem de Colangelo, especialmente nesse contexto. Em resposta a um usuário que o chama de "palhaço" e o coloca abaixo de seu antecessor, Sam Hinkie, o perfil trata de defender o atual GM: "Palhaço? Por quê? O que Hinkie construiu? Meu Deus o tendencionismo é insano".

Sam Hinkie foi quem iniciou o "Processo" levando para a Philadelphia  Joel Embiid, Dario Saric e Ben Simmons. Por outro lado, Bryan Colangelo tem sido muito criticado pela troca com o Boston Celtics pela Pick °1 a fim de escolher Markelle Fultz, enquanto Jayson Tatum acabou indo para Boston e levando os Celtics às finais de conferência derrotando os próprios Sixers.

Bryan Colangelo e o caso das contas falsas do Twitter: Como o GM dos 76ers ficou contra a parede
Bryan Colangelo ao escolher Markelle Fultz na pick n° 1 de 2017 (Foto: NBA)

A conta Eric Jr foi criada em Abril de 2016, mesmo mês em que Colangelo foi contratado pela franquia de Philadelphia. Em sua bio, a conta afirma ser um "basketball lifer", algo como "vivenciador do basquete" e coloca como localização "South Philly", exatamente onde fica a Wells Fargo Center, casa dos Sixers.

As 5 contas atribuídas a Colangelo também seguem um perfil com o nome Warren LeGarie, fundador da Las Vegas Summer League e que foi um agente que  representou o executivo no passado.

São muitas as evidências que apontam Colangelo como sendo, de fato, o nome por trás dessas contas. Existem muitas outras provas apontadas na reportagem que levam à essa conclusão, que você pode verificar direto no portal The Ringer.

Embora nada tenha sido provado, o fato é que Colangelo sairá arranhado dessa história. Ele mesmo negou o acontecido a Joel Embiid, de acordo com Adrian Wojnarowski, da ESPN americana, mas está sob desconfiança. A reportagem do The Ringer parece ser incontestável, mas até que se prove o contrário, é necessário aguardar e é isso que, ao que parece, os Sixers vão fazer antes de tomar uma decisão.

Os melhores times de todos os tempos da NBA

Listamos os 15 melhores times da história da NBA em ordem cronológica de acordo com a dominância em suas épocas

POR William Barbosa dia
Os melhores times de todos os tempos da NBA
Chicago Bulls de 1995-1996, considerado por muitos o melhor da história (Foto: Chicago Tribune)

A história da NBA já nos reservou inúmeras experiências maravilhosas com jogos inesquecíveis, exibições históricas e recordes quebrados. Mas se há uma discussão que está sempre em aberto é sobre qual foi o melhor time da NBA de todos os tempos.

Naturalmente, nossa opinião sobre esse assunto depende da época em que começamos a acompanhar o basquete americano e, claro, para qual time torcemos. Por isso qualquer análise nesse aspecto seria subjetiva e daria margem para muitas controvérsias.

Por exemplo, a equipe do Sobe a Bola já deu seus palpites para as finais de conferência de 2017-2018. Em geral, nossa aposta é que Warriors e Celtics farão as finais da NBA. Mas a verdade é que os palpites são mais uma torcida do que propriamente uma análise objetiva, já que todos temos nossas preferências e, por isso, existem as divergências de opiniões, o que é extremamente saudável.

  

De qualquer forma, a grande maioria de nós vai concordar que, independente da época, sempre houve uma equipe dominante na NBA. E se fôssemos avaliar as melhores equipes da história de acordo com sua dominância em suas épocas?

Dentro desse critério, listamos abaixo quais equipes se destacaram e, desse modo, estariam entre as melhores da história. Não vamos listar performances dominantes que não terminaram em título (com a bênção de Scottie Pippen).

Os melhores times de todos os tempos da NBA
"72-10 não significa nada sem um anel" - Scottie Pippen (Foto: Autor Desconhecido)

Boston Celtics 1964-1965

Teve campanha de 62-18 na temporada regular e 8-4 nos playoffs, terminando com o título ao derrotar o Los Angeles Lakers na final, o 7° de 8 títulos seguidos da franquia.

Eles também estabeleceram o recorde de vitórias até então e tiveram 5 jogadores incluídos no Hall da Fama (K.C. Jones, Sam Jones, Tom Heinsohn, Bill Russell e John Havlicek).

Philadelphia 76ers 1966-1967

Com campanha de 68-13 na temporada regular e 11-4 nos playoffs, os Sixers derrotaram os Warriors nas finais.

O grande jogador do time na época foi também um dos mais dominantes em toda história da liga: Wilt Chamberlain, que tinha a companhia de Hal Greer, Chet Walker e Billy Cunningham, acabando com a sequência de 8 títulos seguidos do Boston Celtics.

New York Knicks 1969-1970

Os melhores times de todos os tempos da NBA
Willis Reed (Foto: RollerSport)

Campanha de 60-22 na temporada regular e 12-7 nos playoffs.

Para aqueles que atualmente costumam chamar jogadores de chinelinhos e mercenários: esse time literalmente deu o sangue para conseguir o título: Willis Reed iniciou o jogo 7 das finais mancando devido a uma lesão muscular. Ele só acertou 2/9 arremessos naquele jogo, mas inspirou seus companheiros a atropelarem o Los Angeles Lakers do grande Wilt Chamberlain nas finais.

Milwaukee Bucks 1970-1971

Campanha: 66-16 na temporada regular e 12-2 nos playoffs, derrotando o Baltimore Bullets nas finais.

Liderados por Lew Alcindor e Oscar Robertson, os Bucks varreram os Bullets na série melhor de 7 para conquistar o título e estabelecer a segunda maior diferença de pontos em finais em toda a história (+12,3 PPJ).

Los Angeles Lakers 1971-1972

Campanha: 69-13 na temporada regular e 12-3 nos playoffs, derrotando o New York Knicks nas finais.

Naquele ano, a equipe estabeleceu o recorde de vitórias consecutiva que até hoje não foi quebrado: 33 vitórias. Além disso, a marca de 69 vitórias na temporada regular só foi quebrada em 1995-1996 pelo Chicago Bulls de Michael Jordan, Scottie Pippen e Dennis Rodman. De qualquer forma, nenhuma equipe foi páreo para Wilt Chamberlain, Jerry West e companhia.

Philadelphia 76ers 1982-1983

65-17 na temporada regular e 12-1 nos playoffs, derrotando o Los Angeles Lakers nas finais.

Moses Malone, Julius Erving, Maurice Cheeks e Andrew Toney só foram derrotados uma vez na pós-temporada: O Milwaukee Bucks venceu um jogo nas finais de conferência, mas os Sixers deram um show que, atualmente, ocuparia uns 10 minutos de highlights no Youtube...

Boston Celtics 1985-1986

Os melhores times de todos os tempos da NBA
Larry Bird e Kevin McHale (Foto: Lipofsky Photography)

67-15 na temporada regular e 15-3 nos playoffs e se consagraram campeões após baterem o Houston Rockets.

A equipe que conseguiu 40 vitórias em casa na temporada regular e que tinha Larry Bird, Kevin McHale, Robert Parish, Dennis Johnson, Danny Ainge e Bill Walton sempre faz parte da eterna discussão sobre ter sido o melhor time da história. O fato é que, nessa época, surgiu uma das maiores rivalidades da história: Celtics x Lakers.

Los Angeles Lakers 1986-1987

65-17 na temporada regular e 15-3 nos playoffs, campeões em novo confronto com o Boston Celtics nas finais.

Com Magic Johnson destruindo àquela altura (23,9 PPJ e 12,2 APJ), e na companhia de Kareem Abdul-Jabbar, James Worthy, Byron Scott, Michael Cooper e outros, os Lakers viraram a febre "Showtime" e arrastaram uma multidão de fãs.

Detroit Pistons 1988-1989

Campanha de 63-19 na temporada regular e 15-2 nos playoofs, derrotando o Los Angeles Lakers nas finais.

Os Pistons de 1989 foram uma das equipes mais dominantes defensivamente em toda a história da liga, contando com Dennis Rodman, Joe Dumars e Bill Laimbeer. Eles varreram os todo-poderosos Lakers e estão inseridos entre os melhores times de todos os tempos da NBA.

Chicago Bulls 1991-1992

67-15 na temporada regular e 15-7 nos playoffs, derrotando o Portland TrailBlazers nas finais.

Já contando com o incrível Michael Jordan, a equipe era muito forte ofensivamente, marcando 115,5 pontos a cada 100 posses de bola e acabou não dando chances para o azar naquele ano.

Chicago Bulls 1995-1996

Os melhores times de todos os tempos da NBA
O melhor da história? (Foto: Bulls Brasil)

72-10 na temporada regular e 15-3 nos playoffs, derrotando o Seattle SuperSonics nas finais.

Esse foi então o maior recorde de vitórias na temporada regular, que só foi quebrado em 2015-2016 pelo Golden State Warriors (73-9), mas que pode ser considerado a melhor campanha de uma equipe campeã (os Warriors foram derrotados nas finais pelo Cleveland Cavaliers). Além disso, a equipe começou a temporada com um estrondoso 41-3. Para muitos, esse foi o maior time de todos os tempos da NBA.

Los Angeles Lakers 2000-2001

56-26 na temporada regular e 15-1 nos playoffs, derrotando o Philadelphia 76ers de Allen Iverson nas finais.

Embora não tão dominante quanto outras equipes dessa lista na temporada regular, os Lakers atropelaram todo mundo nos playoffs. Mas nas finais, um incrível Allen Iverson marcou 48 pontos e assustou a Shaquille O'Neal, Kobe Bryant e companhia em Los Angeles. Mas, no final, 4-1 para os Lakers e 15-1 nos playoffs, recorde que só foi quebrado pelo Golden State Warriors em 2016-2017 (16-1).

San Antonio Spurs 2002-2003

60-22 na temporada regular e 16-8 nos playoffs, derrotando o New Jersey Nets nas finais.

A equipe comandada por Gregg Popovich e que tinha David Robinson, Tim Duncan, Tony Parker e Manu Ginobili foi uma das maiores da história e contava ainda com Steve Kerr, ex-Bulls, vindo do banco. 

Miami Heat 2012-2013

66-16 na temporada regular e 16-7 nos playoffs, derrotando o San Antonio Spurs nas finais.

A equipe esteve no top 10 de eficiência ofensiva e defensiva na liga e era formada pelo fortíssimo trio de LeBron James, Chris Bosh e Dwyane Wade, além da pontaria certeira nos tiros de longa distância de Ray Allen.

Golden State Warriors 2016-2017

Os melhores times de todos os tempos da NBA
Curry e Durant: Nova dinastia? (Foto: SI.com)

67-15 na temporada regular e 16-1 nos playoffs, derrotando o Cleveland Cavaliers de LeBron James e Kyrie Irving nas finais.

Os Warriors haviam perdido melancolicamente as finais do ano anterior, mas após muita polêmica adicionaram Kevin Durant ao elenco e formou um supertime com Stephen Curry, Klay Thompson e Draymond Green que não deu chances a ninguém, estabelecendo o recorde de 16-1 na pós temporada (sendo 15 vitórias consecutivas).

E aí, concordam? Está aberta a discussão. Comente e deixe a sua opinião. 

 

 

Cansaço, jogos fracos e lesões - O legado do calendário da NBA

Jogadores sofrem os efeitos do calendário, se lesionam e comprometem suas equipes para a pós-temporada

POR William Barbosa dia
Cansaço, jogos fracos e lesões - O legado do calendário da NBA
Andre Roberson não joga mais na temporada pelo Oklahoma City Thunder (Foto: Autor desconhecido)

Nos últimos dias, ouvimos falar de vários jogadores da NBA que sofreram lesões. Nomes importantes como DeMarcus Cousins e Kristaps Porzingis não jogam mais nessa temporada. Se o New Orleans Pelicans tem conseguido se virar sem Cousins, o New York Knicks tem remotas chances de ir aos playoffs, algo que era palpável quando Porzingis estava jogando.

Cansaço, jogos fracos e lesões - O legado do calendário da NBA
Cousins sofre lesão contra o Houston Rockets (Foto: SporTV)

Além disso, inúmeros outros jogadores importantíssimos estão desfalcando suas equipes em vários jogos: Stephen Curry, Jimmy Butler, Kevin Love, Kyrie Irving, John Wall e, mais recentemente, Avery Bradley e Klay Thompson engrossam a lista dos que estão fora de combate. E, com os playoffs batendo à porta, nenhum técnico vai querer forçar a barra para que eles joguem.

Há quem diga que jogadores dos esportes mais tradicionais do mundo são extremamente mimados. Afinal, eles reclamam de tudo: da arbitragem, da rotina de treinamentos, da torcida, dos jornalistas e tudo o mais que os cerca. Na NBA, vez por outra pipocam reclamações contra a liga, algumas delas com razão (caso da arbitragem).

 No entanto, se tem uma reclamação válida é a respeito da quantidade de jogos da temporada regular na NBA. Vira e mexe me pergunto: 82 jogos pra quê? Naturalmente, a NBA é um grande negócio e 82 jogos servem pra encher os bolsos da liga e das próprias franquias, incluindo os jogadores que são muito bem pagos pra jogar basquete. 

Mas, na prática, falando de qualidade do espetáculo: Para que esses 82 jogos de cada time sejam possíveis, é necessário um grande planejamento de logística, especialmente nos back-to-backs. Todas as equipes, sem exceção, já experimentaram viajar, jogar uma partida e viajar no mesmo dia para jogar de novo no dia seguinte. E, se no dia anterior a batalha foi pesada, no dia seguinte a equipe está um caco, joga mal e perde de forma bisonha.

Com essa quantidade de partidas e deslocamentos num país tão grande como os Estados Unidos, incluindo viagens ao Canadá para enfrentar o Toronto Raptors ou mesmo ao México e Europa, dá pra entender porque alguns técnicos acabam poupando seus astros em partidas de pequeno apelo. Ou até porque criam um "hype" em torno da lesão (?) de algum jogador para justificar sua ausência quando, na verdade, ele apenas ganhou um descanso.

Pior ainda: Não raro, os times que tanto lutam por uma vaga nos playoffs ficam sem seus jogadores exatamente na pós-temporada. Algumas lesões são fatalidade; outras, por desgaste. Mas todas são acentuadas pela grande quantidade de jogos. Se eu jogo menos, me exponho menos e a probabilidade de eu me lesionar diminui. Pura estatística.

Jogar 82 vezes pra ir à pós temporada e depois ainda jogar melhor de 7 nos playoffs, como já dito, serve pra encher os bolsos, mas do ponto de vista esportivo não faz nenhum sentido. Como também não faz sentido termos os astros se matando em jogos na temporada regular e se lesionando por fadiga, comprometendo a temporada.

Consequentemente, também não faz sentido acreditar que a NBA fará alguma mudança. Essa grande quantidade de jogos no calendário já foi discutida e nada foi mudado. Enquanto isso, podemos nos "deliciar" assistindo a 4 jogos por temporada entre Sacramento Kings e Phoenix Suns...

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